O turismo sustentável já não vive apenas em relatórios, selos verdes e campanhas bem-intencionadas. Está a ganhar terreno nas escolhas de quem procura andar mais devagar, conhecer melhor o território e deixar parte do que gasta nas comunidades que o recebem. Na Península Ibérica, o Caminho de Santiago tornou-se um dos rostos mais visíveis dessa mudança.
Em 2025, 530.987 peregrinos receberam a Compostela, o valor anual mais elevado de sempre e um aumento de 6,4% face a 2024. Cerca de 57% eram estrangeiros. O ritmo não abrandou: no primeiro semestre de 2026, já tinham sido contabilizados mais de 243.700 peregrinos, mais 5% do que no mesmo período do ano anterior. Números de grande destino, embora a experiência continue a fazer-se à escala do passo.
Um crescimento que se espalha pelo território
A força do Caminho está na sua geografia. Em vez de fechar o visitante num empreendimento turístico ou de o empurrar para pontos saturados, a rota reparte a procura por aldeias, vilas, cidades médias, cafés, mercearias, restaurantes, pensões e albergues.
Em Portugal, as rotas do Caminho de Santiago atravessam localidades como Santarém, Golegã, Tomar, Coimbra, Porto, Viana do Castelo e Caminha. O Caminho Central está integralmente assinalado desde Lisboa. Esta extensão ajuda a distribuir o consumo turístico por territórios onde uma dormida ou uma refeição tem outro peso.
Há uma nuance que convém não varrer para debaixo do tapete. Caminhar não apaga as emissões da deslocação até ao ponto de partida, nem torna automaticamente sustentável tudo o que acontece na rota. Ainda assim, reduz o recurso ao transporte motorizado durante o percurso e favorece um modelo mais lento, menos concentrado e próximo da economia local.
Natureza, património e bem-estar no mesmo mapa
O crescimento também se explica pela combinação oferecida. Atividade física, paisagem, património, convívio e silêncio cabem no mesmo itinerário. A caminhada regular está associada a benefícios físicos e mentais; no Caminho, junta-se-lhe a quebra de rotina e uma atenção ao espaço que raramente sobrevive ao turismo apressado.
Mosteiros, pontes antigas, centros históricos, campos agrícolas e troços costeiros não servem de mero pano de fundo. Dão espessura ao percurso. O território deixa de ser visto pela janela e passa a ser lido com os pés.
Portugal deixou de ser uma alternativa secundária
Em 2025, o Caminho Português reuniu 100.835 peregrinos e o Caminho Português da Costa somou 89.509. Em conjunto, representaram quase 36% das Compostelas emitidas. A rota costeira oferece a imagem mais clara desta aceleração: passou de cerca de 2.600 peregrinos em 2016 para perto de 90 mil em 2025.
Crescer desta forma traz rendimento, mas também pressão. Exige sinalização, manutenção, gestão de fluxos, regras nos albergues, tratamento de resíduos e etapas ajustadas à capacidade dos lugares. O turismo sustentável mede-se aqui, não no folheto.
É neste ponto que entra o planeamento especializado. A Santiago Ways, especialista em viagens organizadas no Caminho de Santiago, estrutura percursos, seleciona alojamentos, assegura o transporte de bagagem e presta apoio durante as etapas. Esse conhecimento profundo do território ajuda a reduzir improvisos e a escolher soluções adequadas ao perfil de cada peregrino.
O Caminho não é perfeito por natureza. Torna-se um bom exemplo quando cresce com critério, reparte valor e respeita os lugares que atravessa. É essa disciplina, mais do que qualquer rótulo verde, que o coloca no centro do turismo ativo ibérico.




















