O presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, afirmou em Évora que o setor entrou num “novo ciclo” de crescimento, defendendo que o futuro do turismo passa por gerar mais valor acrescentado, maior equilíbrio territorial e maior impacto na qualidade de vida das populações. A valorização e qualificação dos profissionais foi apontada como eixo central dessa estratégia.
As declarações foram prestadas aos jornalistas no âmbito da Feira de Emprego do Turismo, realizada na Arena d’Évora.
Um setor estratégico para a economia nacional
Carlos Abade enquadrou a importância da iniciativa no peso do turismo na economia portuguesa. «Estamos a falar de uma indústria que é provavelmente uma das maiores indústrias do mundo e em Portugal tem um peso considerável, com cerca de 12% do Produto Interno Bruto».
Recordou ainda a evolução registada na última década. «Há dez anos atrás, o turismo representava 12,8 mil milhões de euros de receitas» e, em 2025, «fechou o ano com mais de 29 mil milhões de euros». Para o responsável, este crescimento resulta do trabalho conjunto de empresas, entidades públicas e regiões de turismo.
O presidente do Turismo de Portugal sublinhou que o país compete hoje com alguns dos principais destinos internacionais e que essa posição implica responsabilidade. «Este setor representa 12% do PIB nacional. Representa quase meio milhão de pessoas a trabalhar».
Crescer com valor, equilíbrio e impacto
Carlos Abade defendeu que o crescimento futuro deve assentar em três dimensões. «Estamos num novo ciclo. (…) Um crescimento que claramente será um crescer com valor acrescentado mais do que em volume».
Acrescentou que o objetivo passa também por «crescer com equilíbrio» ao longo de todo o território, referindo que o Alentejo apresenta um potencial significativo que deve ser transformado em criação de valor.
A terceira dimensão apontada foi o impacto social. «O turismo não é um fim em si mesmo. O turismo é um veículo, é uma ferramenta fortíssima para melhorar a qualidade de vida das pessoas».
Pessoas no centro da estratégia
Para Carlos Abade, a concretização destes objetivos depende da valorização dos recursos humanos. «O turismo é uma indústria de pessoas para pessoas», afirmou, acrescentando que a qualificação e a dignificação dos profissionais são determinantes para gerar valor acrescentado.
O responsável considerou que as exigências colocadas aos trabalhadores do setor são elevadas, quer ao nível da qualificação, quer da capacidade de resposta às expectativas dos mercados. Defendeu, por isso, a necessidade de continuar a investir na formação e na valorização das carreiras.
Referiu ainda que a evolução salarial no turismo tem sido superior à média da economia nacional, sustentando que esse caminho deve prosseguir se o país quiser consolidar um turismo mais competitivo e sustentável.
Nas declarações prestadas, iniciativas como a Feira de Emprego do Turismo contribuem para aproximar empresas e candidatos e para afirmar o setor como uma área de futuro, num momento em que o Alentejo regista crescimento acima da média nacional.

