O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, criticou publicamente a recente decisão do Parlamento Português, que isentou de portagens várias autoestradas do interior do país, mas aumentou o custo da A6 no trajeto Marateca-Caia. Segundo o responsável, esta medida introduz «um desvio de concorrência» prejudicial à competitividade turística do Alentejo.
José Santos começou por reconhecer os benefícios do fim das portagens em vias como a A23 (Beira Interior) e a A24 (Interior Norte), classificando a medida como «positiva para os territórios beneficiados», mas destacou que o Alentejo foi discriminado. «O aumento de 0,35 euros na A6, a única autoestrada que atravessa diretamente a região, é um agravamento que não favorece a atratividade turística», afirmou.
O responsável alertou para o impacto direto da medida no turismo interno, particularmente no mercado proveniente da Área Metropolitana de Lisboa, um dos mais relevantes para o Alentejo. «O turista português, mais sensível ao fator preço, faz contas antes de decidir o destino das suas viagens. O aumento das portagens, aliado a possíveis novas taxas turísticas, cria um custo adicional que pode levar muitos a optarem por outras regiões», declarou.
José Santos reforçou que a A6 é crucial para o acesso a destinos como Évora, Estremoz, Borba, Redondo Vila Viçosa e Elvas, servindo ainda municípios no distrito de Portalegre, como Campo Maior e Monforte. «Ao contrário de outras regiões que beneficiaram da isenção de portagens, o Alentejo viu a sua competitividade afetada. Esta desigualdade não só penaliza a nossa capacidade de atração como compromete a estratégia de promoção da região enquanto destino inclusivo», sublinhou.
O presidente demonstrou preocupação com a tendência de introdução de taxas turísticas em algumas cidades da região, como Évora, e apelou à reflexão sobre os impactos cumulativos. «Estamos numa fase em que os turistas procuram deslocações rápidas, cómodas e economicamente viáveis. Acrescentar mais encargos a uma região que já enfrenta desafios de acessibilidade é contraproducente», referiu.
José Santos lembrou ainda que, embora a região registe números positivos em termos de dormidas e receitas, o turismo «não é um dado adquirido». «Precisamos de uma visão de médio e longo prazo que proteja as condições de competitividade da nossa oferta turística, especialmente para atrair segmentos mais sensíveis ao preço», explicou.
Em tom crítico, José Santos lamentou a falta de medidas que equilibrassem os estímulos entre diferentes regiões do interior. «O Alentejo, enquanto território com grande potencial turístico, merecia as mesmas condições atribuídas a outras zonas, como o Norte e o Centro. Fico desiludido por o Parlamento não ter salvaguardado o princípio da igualdade neste contexto», afirmou.
Questionado sobre a falta de reação de outras entidades regionais, o responsável destacou que a defesa dos interesses do Alentejo é uma prioridade. «Enquanto presidente do Turismo do Alentejo, a minha obrigação é alertar para estas questões. Não me compete comentar a ausência de outras vozes, mas não podemos ignorar as consequências destas decisões», disse.
Apesar das críticas, José Santos reafirmou o compromisso de continuar a promover a região em 2025. «A nossa resposta será reforçar os esforços de promoção, mostrando que o Alentejo é um destino dinâmico, com uma oferta hoteleira de excelência e uma hospitalidade inigualável», garantiu.
O presidente concluiu apelando a um esforço conjunto entre autarcas, agentes turísticos e entidades regionais para enfrentar os desafios impostos. «É essencial que se evitem medidas que aumentem os custos de contexto. O Alentejo tem potencial para ser um destino competitivo, mas isso exige condições favoráveis e uma estratégia concertada», finalizou.



















