Tribunal absolve todos os arguidos no derrame de combustível de navio em Sines

O Tribunal de Setúbal absolveu esta semana os arguidos acusados pelo derrame de combustível do navio MSC Patrícia no porto de Sines, em outubro de 2016, e não deu provimento ao pedido de indemnização do Estado de 179 mil euros.

A acusação do Ministério Público referia que “os arguidos tinham conhecimento de que os tanques do navio apresentavam deficiências e careciam de reparação há já mais de um ano”, mas o tribunal considerou que estes factos não ficaram provados em sede de julgamento.

Os quatro arguidos no processo – a empresa MSC (que operava o navio, propriedade da Ville de Mimosa), o comandante (entretanto falecido), o chefe de máquinas e o imediato do navio – estavam acusados dos crimes de poluição com perigo comum e falsificação de documento, e da contraordenação de poluição do meio marinho.

Na origem da acusação estava o derrame de várias toneladas de ‘fuel oil’ (fuelólio), combustível usado por navios, que terá sido provocado por fissuras num dos tanques do MSC Patrícia.

O tribunal entendeu, no entanto, que essas fissuras nada tinham a ver com outras que tinham sido detetadas e reparadas anteriormente, ao contrário do que sustentava a acusação do Ministério Público, e não considerou provado qualquer dos crimes.

O advogado João Lima Cluny, que representa os quatro arguidos no processo, mostrou-se satisfeito com a decisão do tribunal.

“Acho que a decisão expõe aquilo que foram os factos apurados neste processo. Sim, aconteceu um incidente, foi lamentável, mas foram compensados os danos causados por esse incidente e não houve a prática de nenhum crime”, disse aos jornalistas.

“O tribunal declarou expressamente que não era verdade que os arguidos tivessem conhecimento da existência de danos nos tanques”, sublinhou.

Dado que o tribunal entendeu que não ter havido a prática de qualquer crime, não haverá lugar ao pagamento da indemnização de 179 mil euros ao Estado português, que tinha sido requerida pelo Ministério Público.

João Lima Cluny lembrou ainda que havia dois pedidos de indemnização, um da empresa Sea Culture (viveiros de peixe do grupo Jerónimo Martins) e outro da Administração do Porto de Sines (APS), que foram previamente pagos por acordo entre as partes, como já constava do processo.

Mais notícias

OE2027 prevê medidas para reforçar o abastecimento de água à zona industrial de Sines

A proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) prevê o desenvolvimento de um...

Prisão preventiva para três suspeitos de tráfico de droga em Odemira e Sines

O Tribunal Judicial de Odemira determinou hoje a prisão preventiva dos três homens detidos...

OE2027 prevê abertura à exploração da ligação ferroviária Évora–Badajoz

A proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) prevê a abertura à exploração...

Odemira recebe este fim de semana etapa decisiva do Nacional de Surf Sub-18

A Praia do Malhão, no concelho de Odemira, recebe este fim de semana, 10...

Porto Covo: Nove toneladas de resíduos recolhidos nas praias transformados em 350 peças de arte

Cerca de nove toneladas de resíduos recolhidos nas praias do Parque Natural do Sudoeste...

GNR apreende quase quatro toneladas de cocaína em Odemira e Sines

A Guarda Nacional Republicana (GNR) apreendeu cerca de quatro toneladas de cocaína e deteve...

Sines: Manifestação contesta cais militar e projetos no Litoral Alentejano

O III Encontro por Justiça Social e Ambiental reuniu mais de 100 pessoas em...

António Vitorino defende multilateralismo em palestra em Sines

António Vitorino defendeu o diálogo entre Estados, a cooperação e o respeito pelo Direito...

Ex-presidente do Porto de Sines lança livro sobre a reinvenção dos portos portugueses

José Luís Cacho, antigo presidente do Porto de Sines, lançou o livro O Despertar...