Terraplanistas partem para a Antártida em espetáculo que estreia em Évora

O espetáculo “Ao longe, o fim do mundo”, nova criação da Retorno Contínuo – Associação, em coprodução com o CENDREV – Centro Dramático de Évora, estreia a 20 de março no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

O espetáculo “Ao longe, o fim do mundo”, nova criação da Retorno Contínuo – Associação, em coprodução com o CENDREV – Centro Dramático de Évora, estreia a 20 de março no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

A peça, com dramaturgia de Beatriz e Leonor Wellenkamp Carretas, parte da história de um grupo de terraplanistas portugueses que viaja do Porto até à Antártida com o objetivo de provar que a Terra é plana. A narrativa serve de ponto de partida para uma reflexão sobre verdade, pós-verdade e sistemas de crenças na sociedade contemporânea.

As apresentações em Évora estão agendadas para os dias 20, 21 e 22 de março, sempre às 19:00.

Uma reflexão sobre crenças e verdade

No espetáculo, três terraplanistas embarcam numa expedição rumo à Antártida acompanhados por uma jornalista. A criação coloca em debate o papel da verdade e a forma como esta é interpretada ou relativizada na sociedade atual.

Segundo as autoras da dramaturgia, a escolha do tema surge da necessidade de questionar os sistemas de crenças que orientam a forma como se compreende o mundo.

Leonor e Beatriz Wellenkamp Carretas explicam que «se entregamos a verdade ao relativismo total ficamos facilmente à deriva, reféns de fenómenos sociais e políticos voláteis e opressores – como populismos e propagandas».

As criadoras acrescentam que, apesar de considerarem o terraplanismo um pensamento que pode parecer absurdo, o movimento levanta questões sobre a forma como as sociedades constroem as suas próprias interpretações da realidade.

Elenco e equipa artística

A encenação é assinada por Leonor Wellenkamp Carretas. O elenco integra Afonso Santos, Beatriz Wellenkamp Carretas, Joana Pialgata e Vasco Barroso.

O espetáculo conta ainda com a participação de Emanuel Botelho, responsável pela sonoplastia.

A cenografia é de Vítor Freitas, o desenho de luz de Francisco Monteiro e a realização e operação vídeo de Fábio Coelho. A produção é de Gabriela Cavaz.

O projeto é apoiado pela Direção-Geral das Artes (DGARTES) e pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

Digressão após estreia em Évora

Depois das apresentações em Évora, o espetáculo segue para Lisboa, onde será apresentado no Teatro Ibérico, no âmbito do festival Temps d’Image, nos dias 5 e 6 de junho.

A digressão inclui ainda uma apresentação em Coimbra, no Teatrão, a 4 de julho.

A equipa artística informou também que as criadoras estão disponíveis para entrevistas e que os ensaios podem ser abertos a jornalistas mediante contacto prévio.

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