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Temporal no Alentejo deixa agricultores com culturas perdidas e mortes nos rebanhos

A campanha de cereais de outono e inverno no Baixo Alentejo foi afetada pelo mau tempo recente, com prejuízos nas culturas e um aumento da mortalidade nos efetivos pecuários no distrito de Beja, indicaram associações de agricultores da região.

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A campanha de cereais de outono e inverno no Baixo Alentejo foi afetada pelo mau tempo recente, com prejuízos nas culturas e um aumento da mortalidade nos efetivos pecuários no distrito de Beja, indicaram associações de agricultores da região.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, explicou que a concentração de precipitação em curtos períodos de tempo provocou problemas nas culturas.

«A concentração de chuvas em muito pouco espaço de tempo provocou asfixia radicular nas culturas de outono e inverno, sejam cereais ou forragens», afirmou o responsável.

Segundo o dirigente associativo, o impacto do excesso de água nos solos pode comprometer a campanha agrícola deste ano. «Aquilo que esperamos é que este seja um mau ano agrícola para os cereais de outono e inverno», acrescentou.

Culturas afetadas pelo excesso de água

Situação semelhante é relatada pela Associação de Agricultores do Campo Branco, com sede em Castro Verde e área de intervenção que abrange também os concelhos de Almodôvar, Ourique e parte dos territórios de Aljustrel e Mértola.

O presidente da associação, António Aires, indicou que o excesso de precipitação comprometeu culturas destinadas à alimentação animal e cereais.

«O excesso de água comprometeu as forragens e os fenos para o próximo ano e também a parte do cereal», referiu o responsável, admitindo que existem já áreas com culturas perdidas.

De acordo com o dirigente, em algumas zonas a recuperação deixou de ser possível. «Há zonas em que já é irreversível a recuperação das culturas, pois perderam-se por encharcamento» dos campos.

Mortalidade de animais aumentou

Os efeitos do mau tempo também se fizeram sentir na pecuária. Segundo António Aires, as condições meteorológicas adversas afetaram o nascimento de animais nos rebanhos.

«Houve borregos a nascer debaixo de frio e chuva, acabando por morrer», afirmou, acrescentando que estes prejuízos se juntam aos que os produtores registaram nos meses anteriores com a doença da língua azul.

Também Rui Garrido indicou que o excesso de chuva e o frio dificultaram o acesso dos agricultores aos seus efetivos.

«Com o excesso de água e frio, muitos agricultores não conseguiam chegar aos seus efetivos», explicou, referindo que se registou «um aumento muito significativo de mortes devido às intempéries».

Segundo o responsável da ACOS, os pedidos de recolha de cadáveres de pequenos ruminantes realizados pelos produtores mais do que duplicaram face ao ano anterior, sinalizando um aumento da mortalidade nos animais, sobretudo nos mais jovens.

Temporal provocou danos em várias regiões

O período de instabilidade meteorológica associado às depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou diversas consequências em Portugal.

Segundo dados divulgados, o temporal esteve associado à morte de 18 pessoas no país e originou centenas de feridos e desalojados.

Entre os principais danos registados contam-se destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, além de cortes de energia, água e comunicações e situações de inundação.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia 68 concelhos terminou a 15 de fevereiro.

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