A Start Campus admite criar uma “mini-aldeia” temporária em Sines, com alojamento e serviços, para responder à falta de habitação disponível no concelho, numa altura em que os grandes investimentos em curso estão a aumentar a pressão sobre o território.
Segundo o ECO/Local Online, a empresa responsável pelo centro de dados de Sines está a estudar esta solução para acolher trabalhadores ligados ao projeto, perante as dificuldades em encontrar casas disponíveis e o aumento das rendas na região.
A estrutura deverá ter um caráter temporário e incluir serviços de apoio, mas a Start Campus afasta a ideia de criar um bairro fechado ou separado da cidade.
“Não vamos fazer um bairro para a Start Campus. Queremos integrar com a comunidade”, afirmou Luís Rodrigues, diretor de operações da empresa, em declarações ao ECO/Local Online.
Solução em estudo para responder à falta de casas
A possível criação desta “mini-aldeia” surge num contexto de maior pressão habitacional em Sines e nos concelhos vizinhos, associada à chegada de trabalhadores ligados a projetos industriais, energéticos, tecnológicos e logísticos.
Ao ECO/Local Online, Luís Rodrigues defendeu que a solução deve ser articulada com as entidades públicas e integrada no território, sublinhando que os desafios colocados pelo crescimento económico do concelho exigem respostas a médio e longo prazo.
A empresa reconhece, no entanto, que a dimensão dos investimentos previstos para Sines cria necessidades imediatas ao nível do alojamento, da mobilidade, dos serviços públicos e das infraestruturas de apoio.
Centro de dados pode chegar a seis edifícios
A Start Campus está a desenvolver em Sines o SINES Data Campus, um projeto de centros de dados preparado para inteligência artificial, cloud e computação de elevado desempenho.
De acordo com a informação pública da empresa, o campus está previsto para atingir uma capacidade de 1,2 GW e deverá ser composto por seis edifícios. A primeira unidade, SIN01, já foi inaugurada, estando o projeto a avançar de forma faseada.
O investimento associado ao centro de dados tem sido apresentado como um dos maiores projetos privados em desenvolvimento no país, com impacto previsto na criação de emprego, na atração de empresas tecnológicas e na afirmação de Sines como plataforma energética, logística e digital.
Pressão sobre habitação, mobilidade e serviços
A possibilidade de criação de alojamento temporário pela Start Campus surge num momento em que Sines enfrenta uma pressão crescente sobre o mercado de habitação.
A chegada de novos projetos e de milhares de trabalhadores tem colocado o tema da habitação no centro das preocupações locais, a par da mobilidade, da educação, da saúde e da capacidade dos serviços públicos responderem ao aumento da população presente no território.
A solução agora admitida pela Start Campus ainda não tem localização, calendário ou capacidade publicamente conhecidos. Também não é ainda claro se o alojamento será destinado apenas a trabalhadores diretamente ligados ao centro de dados ou se poderá abranger trabalhadores de empresas contratadas no âmbito do projeto.
Para já, a empresa assume que a resposta terá de ser temporária e articulada com a comunidade, numa altura em que Sines procura equilibrar a chegada de grandes investimentos com as necessidades da população residente.


















