Sousel: “Criei mais um espaço de reflexão no Museu dos Cristos” diz autor da exposição “Corpo da Cruz”

Exposição no museu dos Cristos

O Museu dos Cristos, em Sousel, recebe a exposição individual “Corpo da Cruz”, de José Rosinhas.

A abertura da exposição ocorreu, este sábado, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Sousel e a vereadora Sílvia Eliseu, que acompanharam o artista numa visita à exposição.

Trata-se de uma exposição onde a Cruz é tema central, é constituída por 18 peças, estando dispostas de forma a tornar o espaço numa capela, que para o artista surge como sinónimo de refúgio, um espaço de acolhimento, reflexão e proteção.

De referir que esta exposição integra as comemorações do 2.º aniversário do Museu dos Cristos, sendo que o acesso a esta exposição é gratuito e pode ser visitada até ao próximo dia 30 de maio.

ODigital.pt falou com o artista plástico natural do Porto, José Rosinhas, que na entrevista concedida começou por agradecer “à Câmara Municipal e a todos os funcionários do Museu dos Cristos de Sousel, pela forma como me acolheram”, explicando depois que “o projeto tem duas vertentes, uma ideia da paisagem da janela e, outra da cruz”.

O artista salienta que “o projeto intitula se “O corpo da cruz”, porque “tem a ver com a utilização da imagem, da figura e o corpo da Cruz, que eu já trabalho há alguns anos”, pois “para mim a cruz é um símbolo de vida, em que alguém que morreu por todos nós, se sacrificou por todos nós e, portanto, eu não vejo como um sinal de morte, mas vejo sim a cruz como um sinal de amor ao próximo, de sacrifício ao próximo.”

Nesta exposição o que apresento são algumas derivações, pois, eu fiz uma pequena residência artística no ano passado na fábrica Viarco, que é a única fábrica de lápis em Portugal, onde pude explorar plasticamente o conceito da cruz em vários suportes e daí também algumas pinturas, porque eu não apresento só desenhos sobre papel, mas também têm pinturas acrílicos sobre madeira”, indica ainda José Rosinhas.

Mais que visitar a exposição o portuense convida “as pessoas a perceberem o conceito da Cruz, claro pode ser simplesmente um objeto, uma forma abstrata, mas acho que é um dos poucos símbolos do mundo que todos nós conhecemos e sabemos o seu significado.”

Já sobre a inspiração para a criação dos seus trabalhos, José Rosinha diz que inspira-se na “igreja ou os museus e principalmente os museus de arte contemporânea, que sempre foram desde criança uma fonte de inspiração, mas a igreja em si também é uma fonte de reflexão e de meditação enquanto cristão, mas acima de tudo pela beleza dos retábulos, pela beleza da talha dourada, pela beleza dos mármores, dos azulejos que todos nós encontramos quando vamos visitar uma igreja”, acrescentando que “tive a oportunidade de fazer uma visita guiada pelas igrejas da vila de Sousel e é de fato um património fantástico e que me inspirou bastante.”

O artista plástico chama ainda a atenção “dos visitantes e do público que vão encontrar uma instalação, que eu tentei criar e que dá a ideia de um altar e daí o Senhor Padre Nabais ter emprestado um genuflexório e ter dois crucifixos feitos com materiais reciclados e este foi o ponto de partida de uma matéria-prima, sendo que depois tenho três cruzes feitas com pigmento prensado e sobre papel para exatamente criar e dar a ideia de uma igreja ou uma pequena igreja ou um altar, ou seja, é poder  transformar o próprio espaço museológico numa pequena capela de reflexão, porque quando nós vamos visitar o Museu dos Cristos não vamos saber se são meramente só projetos artísticos, mas também estamos a pensar naquilo que estamos a ver no homem Jesus Cristo, na cruz, no significado e o peso que tem para todos nós ou para cada um que vai visitar o museu, portanto, acho que criei mais um espaço de reflexão no Museu.”

Questionado sobre o que pretendia que os visitantes da exposição refletissem, José Rosinhas refere que, as pessoas devem “refletir na arte contemporânea e no peso que a Igreja ou a Cruz ainda tem hoje em dia na arte contemporânea…”, acrescentando que “acima de tudo que as pessoas ao entrar refletissem sobre o papel do artista contemporâneo na arte portuguesa ou contemporânea estrangeira e acima de tudo também a ideia da Cruz, portanto de que refletissem sobre o que é arte contemporânea e em tudo o que os artistas podem pegar num tema que existe há dois mil anos, que é a cruz e alguém que morreu na cruz, e trazê-la para 2021 ou para 22, 23, pois é um tema que é indiscutível e acho que dezenas e centenas de artistas vão continuar a trabalhar no futuro.

O artista conclui referindo que “posso levar esta exposição para outros lugares, mas nunca será igual a esta, porque como sinal de agradecimento, ofereci três peças ao município, pois é uma forma de agradecer aquilo que o senhor presidente e a senhora vereadora fizeram por mim e toda a equipa do museu e, portanto, eu ofereci ao município três peças importantes da exposição e depois nunca seria igual porque não há mais nenhum Museu dos Cristos”, referindo ainda que “eu já posso ficar muito feliz, porque acho que fui muito feliz numa sala tão pequena e acho que é uma exposição que vai ficar na história do museu”.