O número de acidentes rodoviários com vítimas aumentou no Alentejo em 2023, acompanhando a tendência nacional, segundo o Relatório Anual de Sinistralidade a 30 dias, Fiscalização e Contraordenações Rodoviárias, divulgado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). O documento revela um acréscimo de acidentes, vítimas mortais e feridos graves na região face ao ano anterior.
Nos distritos de Évora, Beja e Portalegre, registou-se um total de 1.284 acidentes com vítimas, um aumento face aos 1.201 registados em 2022. O número de vítimas mortais subiu de 42 para 51, refletindo um crescimento de cerca de 21,4%. Já o número de feridos graves atingiu 208, mais 14,2% do que no ano anterior.
O relatório destaca que as estradas nacionais continuam a apresentar um índice de gravidade superior ao de outras vias, concentrando um número significativo de acidentes com vítimas mortais. Entre as vias mais problemáticas da região, as estradas EN4, EN18 e EN114 são apontadas como as que registaram maior sinistralidade, sobretudo em zonas de atravessamento urbano.
A maioria dos acidentes ocorreu dentro das localidades, onde se verificou 54,5% das vítimas mortais e 67,3% dos feridos graves. Fora das localidades, os despistes continuam a ser a principal causa de sinistralidade grave, em especial nos troços de maior velocidade.
Os dados da ANSR apontam para um aumento significativo da sinistralidade envolvendo motociclos de cilindrada superior a 125cc, cuja mortalidade cresceu 11,4% no Alentejo. Já os acidentes com veículos ligeiros, que continuam a ser os principais intervenientes nos sinistros, representaram 43% das vítimas mortais e 39% dos feridos graves.
Por faixa etária, os condutores e passageiros com mais de 65 anos continuam a ser um dos grupos mais vulneráveis, representando cerca de 30% das vítimas mortais na região. O grupo etário entre 15 e 19 anos também registou um aumento significativo de vítimas, tanto mortais como feridos graves.
O relatório indica que o número de infrações aumentou no Alentejo em 2023, em linha com a maior fiscalização efetuada pelas autoridades. O excesso de velocidade continua a ser a infração mais registada, com um acréscimo de 8,5% nas contraordenações. A condução sob o efeito de álcool também se manteve como um dos principais problemas, com 5,4% mais infrações registadas do que no ano anterior.
Foram ainda verificadas infrações relacionadas com a ausência de seguro obrigatório (+84,1%), a falta de inspeção periódica obrigatória (+38,3%) e o uso indevido do telemóvel durante a condução (+9,1%).
A ANSR estima que o custo económico e social dos acidentes rodoviários em Portugal tenha atingido 7,2 mil milhões de euros em 2023, o equivalente a 3% do PIB nacional. Apesar dos esforços de prevenção e fiscalização, a taxa de mortalidade rodoviária no país mantém-se 33,1% acima da média da União Europeia, o que representa um obstáculo à meta estabelecida pelo programa “Visão Zero 2030”, que visa reduzir para metade o número de vítimas mortais até ao final da década.
No Alentejo, as autoridades reforçam a necessidade de implementar medidas de acalmia de tráfego, melhorar a sinalização e promover campanhas de sensibilização para os condutores, de forma a contrariar a tendência de agravamento da sinistralidade na região.



















