Sindicato denuncia falta de profissionais em duas unidades de saúde de Serpa

Enfermeiros

Um sindicato de enfermeiros denunciou hoje que as unidades de convalescença e cuidados paliativos de Serpa, no distrito de Beja, estão a funcionar sem condições de segurança, devido à falta de profissionais de saúde.

Atualmente, as duas unidades, geridas pela Santa Casa da Misericórdia de Serpa (SCMS), “não têm condições de segurança para prestar cuidados aos doentes”, sobretudo devido à falta de enfermeiros, disse à agência Lusa o delegado do Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos do Continente e Ilhas (SITEU), Nuno Correia.

Contactado pela Lusa, o provedor da SCMS, António Sargento, escusou-se a reagir à denúncia, referindo apenas que a instituição e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo “têm-se empenhado para adequar o rácio de funcionários ao número de utentes internados” e para “garantir a qualidade dos cuidados” prestados.

Segundo o sindicalista, as duas unidades, onde trabalha como enfermeiro em regime de prestação de serviços, estão instaladas no mesmo piso do Hospital de São Paulo, também gerido pela SCMS, partilham as mesmas equipas médica e de enfermagem e têm um total de 25 camas (19 de convalescença e seis de cuidados paliativos).

As unidades, onde, atualmente, estão internados 19 doentes, dos quais 16 de convalescença e três de cuidados paliativos, estão a funcionar sem médico e “só com um enfermeiro” de serviço no turno das 00:00 às 08:00, indicou Nuno Correia.

“E, muitas vezes, chega a estar de serviço também só um enfermeiro nos outros turnos”, das 08:00 às 16:00 e das 16:00 às 00:00, argumentou o sindicalista, frisando que “é humanamente impossível chegar a todos” os doentes.

De acordo com o Regulamento da Norma para Cálculo de Dotações Seguras dos Cuidados de Enfermagem, a equipa de uma unidade de convalescença deve ter um enfermeiro por cama e a de uma unidade de cuidados paliativos deve ter 1,2 enfermeiros por cama, apontou Nuno Correia.

Por isso, frisou, a equipa de enfermagem das duas unidades “deveria ter 26 enfermeiros”, mas tem “apenas cinco a tempo inteiro e dois em regime de prestação de serviços”, sendo que estes últimos “fazem o horário completo de um enfermeiro a tempo inteiro”.

Por isso, continuou, “é como se as duas unidades tivessem seis enfermeiros”, número que é “muito abaixo do ideal e que acaba por colocar em risco quer os doentes, quer os profissionais”, alegou.

Nuno Correia disse que já denunciou o caso à Ordem dos Enfermeiros e que já houve contactos sobre o assunto com o provedor da SCMS, António Sargento, “mas continua a não haver qualquer tipo de resolução para o caso”.

Já o provedor afirmou à Lusa que, além dos esforços para adequar o rácio de funcionários ao dos utentes, a SCMS e a ARS do Alentejo também se têm “empenhado” para “inverter a tendência de muito baixa ocupação” das duas unidades.

Nos últimos dois anos, marcados pela pandemia de covid-19, o número de utentes internados esteve “muito abaixo dos 50% de capacidade” das unidades, “tendo chegado a ser de apenas cinco” no último dia de 2021, frisou o provedor, informando que vai reunir esta semana com o SITEU para “esclarecer” esta estrutura sindical “sobre todas as questões”.