A Destilaria António Cuco, conhecida pelo seu Sharish Gin, foi galardoada, pela Yunit Consulting, com o prémio “Heróis PME” na categoria “Microempresas” em junho deste ano.
Agora, com o prémio “em mãos”, ODigital.pt conta a história por trás da distinção e, claro, por trás de uma das marcas mais emblemáticas do segmento em Portugal.
Tudo começou em 2014, quando António Cuco decidiu transformar o desemprego numa oportunidade, com o dinheiro que ele e a mulher tinham juntado em 15 anos de casamento, criou a sua destilaria em Reguengos de Monsaraz.
O fundador recordou que a empresa nasceu quase do nada, numa pequena fábrica. Começou por transformar “álcool etílico em gin”, movida pela missão de criar “bebidas de qualidade associadas aos bons momentos da vida”.
A aposta, na altura, pareceu pouco lógica, uma vez que “o mercado não estava preparado para um gin altamente premium”, mas António Cuco preferiu fazer “tudo bem feito”. Desde a escolha dos ingredientes à apresentação do produto.
Do desemprego à inspiração
António Cuco acredita que a sua história representa o poder de transformar fraquezas em força. Numa altura difícil, sem dinheiro e sem emprego, decidiu arriscar tudo para criar o seu próprio trabalho.
“Foi um all in”, referiu, descrevendo o momento em que investiu o subsídio de desemprego num sonho.
Esse risco acabou por mudar a sua vida — e a de outros. Hoje, sente-se orgulhoso quando ouve colegas destiladores confessarem que só criaram as suas marcas porque se inspiraram no exemplo do Sharish: “Nunca os vi como concorrentes, mas como colegas”.
Marketing de guerrilha e vendas antes do primeiro lote
A ausência de dinheiro obrigou o fundador a ser criativo. Sem orçamento para publicidade, lançou o Sharish através do que chama de “marketing de guerrilha”.
Aproveitou o início das redes sociais, como o Facebook e o Instagram, para construir a marca de forma gratuita, com “muito trabalho”, viagens e eventos em feiras e mercados. Essa estratégia resultou num feito improvável: vender antes de produzir.
António Cuco destacou que conseguiu que duas centenas de pessoas comprassem garrafas de gin quando “ainda nem tinha autorização da alfândega para adquirir álcool”. “Posso gabar-me de que começámos a vender muito bem, ainda antes de vender”, relatou.
O sucesso foi, de certa forma, imediato. Em meses, esgotou as garrafas previstas para o primeiro ano, o que obrigou a ampliar as instalações. De 120 metros quadrados em 2014, a destilaria passou para 360 no ano seguinte e, hoje, ocupa 1.400 metros quadrados, produzindo cerca de 140 mil garrafas por ano, com 15 funcionários.
Turismo, provas e gin artesanal
A destilaria alentejana tornou-se também num ponto turístico de referência. Conta com mais de 12 mil visitantes anuais, mas tudo começou de forma espontânea: “Mesmo sem anunciar, as pessoas queriam conhecer o local onde se fazia o gin Sharish”.
Hoje, há visitas guiadas, e gratuitas, que incluem a história da marca e o processo de produção. Porém, há ainda provas comentadas, com quatro gins puros e um gin tónico final, e workshops mensais para quem quer aprender a fazer o seu próprio gin.
António Cuco vê este contacto direto com o público como uma das chaves do sucesso, com as vendas diretas: “Não só garantem melhores margens como financiam a própria construção da marca”.
Família, futuro e consumo responsável
Agora, numa fas de “Destilaria António Cuco 2.0”, começa a receber a nova geração. A filha já integra a equipa e o filho está a dar os primeiros passos na empresa.
Para além dos mais novos da família, a sua estratégia de futuro passa por acompanhar as mudanças do mercado e dos consumidores.
“Os momentos de consumo alteraram-se”, confessou, explicando que as novas gerações procuram bebidas “mais leves, de teor alcoólico mais baixo e uma relação diferente com o álcool”.
“O nosso objetivo nunca foi promover a embriaguez, mas o prazer da bebida”, sublinhou. “Queremos que as pessoas desfrutem de um gin com moderação e qualidade.”
É nessa filosofia que continuará, segundo nos contou, a orientar os novos produtos que prometem “chocalhar o mercado” e que irão ver a luz do dia “brevemente”
O prémio que simboliza uma vida de trabalho
O referido prémio chegou recentemente é certo, mas distinguiu a história da destilaria e do seu fundador. António Cuco confessou que este foi o galardão que mais o emocionou, pois “foi o coroar de um trabalho feito com a família e com os nossos colaboradores”.
O troféu, que está exposto na receção da destilaria, serve símbolo da perseverança que o trouxe até aqui: “Deu-nos ainda mais força para continuar a inovar e a fazer as coisas bem feitas”.
Uma lição de coragem e planeamento
Apesar de ser exemplo de sucesso, António Cuco recusou a ideia de que o empreendedorismo deve ser feito por impulso.
Desta forma, aconselhou quem sonha seguir o mesmo caminho a estudar bem o mercado e a planear cada passo. Isto porque “não se deve avançar sem um projeto estruturado”.
Ainda assim, “se, no fim desse trabalho, é acreditarem que a oportunidade está lá”.
De seguida, fique com as imagens da visita à destilaria, no âmbito desta reportagem.









































































