Setor da pedra natural apresenta manifestação de interesse aos fundos do PRR

Mármore alentejano

Quase 50 parceiros do setor da pedra natural juntaram-se para apresentar uma manifestação de interesse para o desenvolvimento de projetos no âmbito das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), revelou o consórcio.

A “Sustainable Stone by Portugal – Valorização da Pedra Natural para um futuro digital, sustentável e qualificado” tem como objetivo de “potenciar o trabalho mobilizador e agregador” que tem sido desenvolvido pelo setor, explicou consórcio em comunicado.

Pretende, desta forma, contribuir para a criação de “uma nova geração de produtos fortemente disruptivos e inovadores que fortaleçam a capacidade do setor para crescer, com pendor internacional, contribuindo para o crescimento e consolidação do setor enquanto estratégico para o desenvolvimento sustentável da economia portuguesa”.

“O impacto do PRR” no setor, explicou à agência Lusa a diretora executiva da Associação Cluster Portugal Mineral Resources (ACPMR), Marta Peres, deverá sentir-se, essencialmente, “ao nível da investigação de novos produtos para meter no mercado”.

“Primeiro, na nossa exportação, que vai aumentar não só em quantidade, mas também em valor acrescentado. Depois, na riqueza das regiões, porque o setor da pedra está muito localizado e em certas regiões é o principal empregador. Quanto mais evoluírem as empresas, mais essas regiões evoluem”, sintetizou Marta Peres.

Do consórcio fazem parte “20 empresas de pedra natural, 14 entidades não empresariais” do sistema IDI (Investigação, Desenvolvimento e Inovação), assim como “nove empresas tecnológicas, duas associações, um laboratório colaborativo, uma Câmara Municipal e um laboratório do Estado”.

“Mobilizados pelo Cluster dos Recursos Minerais, constituem o maior consórcio constituído até hoje para a atuação conjunta, sustentabilidade e competitividade”, acrescenta o comunicado da ACPMR.

Segundo a mesma nota informativa, os novos produtos e processos resultantes da Sustainable Stone by Portugal “pretendem ainda assegurar um impacto económico e social muito relevante a nível nacional”, respondendo aos desafios da “transição digital e sustentável, ecológica, resiliência económica e crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”.

“Somos um setor que desperdiça muito em termos de matéria-prima”, assumiu Marta Peres, adiantando que a primeira forma de assegurar o impacto económico e social do consórcio é fazer tudo para “aproveitar os subprodutos” resultantes da transformação da pedra, “com muita investigação”.

“Como já estamos nos principais mercados de qualidade, de maior valor acrescentado, como a França e os EUA, temos muita margem para fazer novos produtos a partir de lixo, juntando outras matérias. Isto é uma das vertentes. A outra é aproveitar tudo o que é desperdício para o fabrico de compósitos”, apontou a diretora executiva.

Trata-se, portanto, de reutilizar “tudo o que não é aproveitado comercialmente em blocos e em chapas” para fazer novos produtos, como por exemplo “o ‘stork’”, que é “uma mistura de cortiça e pedra”, e também a criação de novos produtos “muito à base da inteligência, como aqueles em que pisamos o chão e vai acendendo luzes, ou que permitem regular a temperatura”, exemplificou.

A Sustainable Stone by Portugal é uma das 140 candidaturas de consórcios envolvendo empresas, universidades e instituições científicas e tecnológicas que apresentaram uma manifestação de interesse para o desenvolvimento de projetos no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial, cujo prazo terminou em 30 de setembro.

Estão previstos cerca de mil milhões de euros de incentivos para apoiar estes investimentos, no âmbito do PRR português, mas o ministro da Economia, Siza Vieira, disse à Lusa, na semana passada, que foram sinalizados “mais 2,3 mil milhões” que poderão vir a ser apoiados pela União Europeia.

O ministro referiu ainda que nas próximas semanas, serão avaliadas estas manifestações de interesse e estes consórcios para verificar se cumprem as condições de elegibilidade para participarem neste programa.

Posteriormente, serão dirigidos convites aos consórcios pré-selecionados para apresentarem os seus projetos e as suas candidaturas ao apoio através dos incentivos disponíveis.

De acordo com o governante, a seleção final dos consórcios será feita com recurso a um júri com personalidades internacionais e os contratos de investimento deverão ser assinados durante o primeiro trimestre do próximo ano.