Cinco anos depois do arranque da iniciativa «Tratar o cancro por tu», o Ipatimup regressa a Évora para um novo ciclo de sessões dedicadas à prevenção, deteção precoce e tratamento do cancro. Entre 13 de fevereiro e 12 de março, cientistas e especialistas vão estar também em Viana do Castelo, Guimarães e Angra do Heroísmo, com o objetivo de reforçar a literacia em saúde junto da população.
Desde o início do projeto, já foram realizadas 26 sessões em 15 cidades, que reuniram mais de 3.500 participantes. Nesta edição, o foco centra-se em temas relacionados com a prevenção e com a importância dos rastreios para identificar riscos antes do desenvolvimento da doença.
Prevenção e desafios na Europa
Apesar dos avanços verificados na prevenção e no acesso aos cuidados oncológicos, a Europa continua a enfrentar desafios relevantes no aumento do número de novos casos de cancro. Elisabete Weiderpass, líder da Organização Mundial da Saúde para o cancro através da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC), sublinha que «é preciso inverter estes números».
A investigadora considera que a comunicação direta com os cidadãos é essencial para quebrar tabus e promover o acesso à informação. «Quando falamos sem medo, damos às pessoas ferramentas para agir, decidir e cuidar da sua saúde com autonomia», afirmou.
Importância dos rastreios e comunicação científica
Elisabete Weiderpass destacou ainda o papel dos rastreios na deteção precoce, referindo que estes «permitem identificar riscos e atuar antes do desenvolvimento da doença, salvando vidas». Para reforçar a adesão da população, defende campanhas de comunicação baseadas em evidência científica que combatam o medo e o estigma associados ao cancro.
Portugal tornou-se recentemente membro oficial da IARC, ramo da Organização Mundial da Saúde dedicado ao estudo das doenças oncológicas, e a diretora da instituição deixou uma mensagem de compromisso e esperança aos participantes: «A ciência está a avançar, os cuidados estão a melhorar, e juntos podemos fazer a diferença».
Doentes no centro da discussão
O novo ciclo de sessões volta a contar com o patologista e investigador Manuel Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup e anfitrião da iniciativa. Para o cientista, estas ações contribuem para inverter o crescimento de novos cancros, defendendo que o conhecimento das pessoas com doença neoplásica é determinante para promover a prevenção e o diagnóstico precoce.
Temas das sessões de 2026
Na edição de 2026, os encontros vão abordar diferentes temáticas em cada cidade. Em Évora, a sessão será dedicada ao tema «O papel da hereditariedade: a importância da história familiar e os estudos genéticos». Outras cidades vão receber debates sobre fatores ambientais, diagnóstico e principais riscos associados ao cancro.
Cada uma das seis sessões dará origem a um podcast na Antena 1, disponível posteriormente na RTP Play e nas principais plataformas de streaming.

