As sessões de cinema alternativo exibidas no Auditório Soror Mariana, no centro histórico de Évora, estão suspensas desde o início do ano devido a problemas de salubridade no edifício, sem previsão para a retoma, indicaram responsáveis à agência Lusa.
O espaço, com pouco mais de 50 lugares, acolhia regularmente projeções organizadas pelo núcleo de cinema da Sociedade Operária de Instrução e Recreio (SOIR) Joaquim António d’Aguiar e pelo grupo Cinema-fora-dos-Leões.
Em declarações à Lusa, o presidente da SOIR Joaquim António d’Aguiar, Pedro Branco, lamentou a interrupção das sessões.
“Custa pensar que Évora não tem agora um sítio onde se possam ver filmes das grandes referências do cinema”, afirmou.
Segundo o dirigente associativo, a sala, propriedade da Universidade de Évora (UÉ), foi encerrada depois de terem sido identificados problemas de infiltrações e questões relacionadas com a salubridade do espaço.
Pedro Branco explicou que a universidade decidiu suspender as atividades no auditório para permitir uma intervenção destinada a resolver os problemas detetados.
Também à Lusa, o vice-reitor da Universidade de Évora para as Infraestruturas e Políticas para a Vida, João Valente Nabais, confirmou que os problemas no edifício se agravaram no início do ano devido ao mau tempo.
“Os problemas de infiltrações agravaram-se, no início deste ano, com a intempérie”, disse, acrescentando que o espaço deixou de reunir condições para estar aberto ao público.
Segundo o responsável, as infiltrações afetam a cobertura do edifício, uma casa de banho, o ‘hall’ de entrada e também os soalhos e o mobiliário do auditório.
A universidade pretende avançar com a renovação do imóvel e já contratou uma empresa para reabilitar a casa de banho danificada.
Quanto às restantes intervenções, João Valente Nabais explicou que está a decorrer uma avaliação técnica para determinar o valor da obra e definir o procedimento a seguir, não sendo ainda possível indicar uma data para o início dos trabalhos.
Entretanto, os promotores das sessões procuram alternativas para retomar a exibição de filmes em Évora.
Pedro Branco adiantou à Lusa que os núcleos de cinéfilos estão à procura de salas “alternativas, temporárias ou permanentes” para garantir a continuidade da iniciativa.
O responsável admitiu que uma solução rápida poderá minimizar o impacto da suspensão, mas reconheceu que um atraso prolongado poderá criar dificuldades.
“Se percebermos que se arrasta por um ano ou assim, inclusivamente entrando em 2027, isso preocupa-nos”, afirmou.
O dirigente associativo recordou que as sessões exibiam sobretudo cinema de autor, independente e premiado em festivais internacionais, reunindo um público regular.
Segundo dados enviados pelos promotores ao Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), consultados pela Lusa, o auditório acolheu 118 sessões em 2025, que foram assistidas por 5.041 espetadores.

