Serpa: A celebrar a classificação do Cante, autarca garante “continuar a trabalhar” para o desenvolver (c/fotos)

Cante Alentejano

A cidade de Serpa, no distrito de Beja, voltou a celebrar a classificação do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

O 7º aniversário celebrou-se, no Cineteatro Municipal de Serpa, com o espetáculo “Elemento Árabe”, com Ana Santos, Ricardo Falcão, Tó Zé Bexiga e o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa.

Um espetáculo único e com muita qualidade, que juntou a sonoridade árabe e alentejana.

Em declarações a’ODigital.pt, o presidente da Câmara Municipal de Serpa, João Efigénio, disse que “o Cante é a nossa identidade, é a nossa cultura e a nossa história e é tudo isso que agora celebramos, apesar de todos os constrangimentos, apesar de todas as limitações não celebramos como nós gostávamos, em pleno, com a população, nas coletividades e assim fizemos o que foi possível”.

O autarca disse que “não podemos esquecer e temos que continuar a trabalhar para desenvolver o cante, para manter o cante de forma que se continue vivo”.

João Efigénio referiu-nos que “a autarquia tem um trabalho ao longo dos anos de apoio ao cante, com o cante nas escolas e agora com a Casa do Cante, com o Museu do Cante, que dinamiza, que mantém os grupos unidos, que colabora com os grupos, que apoia e que de alguma forma faz o trabalho de continuação, de preservação deste património que é nosso que todos”.

Presente também nesta cerimónia esteve Ana Paula Amendoeira, diretora Regional de Cultura do Alentejo, que nos disse que “o Cante é uma manifestação muito forte no Alentejo, e penso que este espetáculo, que foi criado pela Ana Santos, com o Tó Zé Bexiga e o Ricardo Santos, que fizeram estes originais com a participação especial do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa, foi uma forma muito digna, muito respeitadora, mas também muito criativa e que nos que nos dá muita esperança no futuro do Cante”.

Esta noite “todas as pessoas sentiram muita emoção, pois, foi de uma coragem e de uma ousadia misturar e combinar a música com o cante, mas que resultou de facto num espetáculo e numa manifestação artística muito respeitadora do Cante e muito digna para comemorar estes sete anos”, frisou Ana Paula Amendoeira.

Já sobre a continuidade do Cante e sobre o impacto da pandemia no Cante, a diretora de Cultura do Alentejo referiu que “a seguir sobretudo a inscrição do Cante na lista da UNESCO sentiu-se alguma adesão dos mais jovens, mas esta questão da pandemia agravou problemas que já existiam e acrescentou outros, nomeadamente, os do isolamento, os das dificuldades de uma prática cultural que é por natureza coletiva e de grupo, mas nós temos agora que trabalhar em conjunto para dar um novo élan e ajudar muito o movimento coral do cante alentejano, sobretudo para podermos renascer deste período tão difícil que estamos a viver”.

Fique de seguida com as imagens desta cerimónia, numa reportagem de Hugo Calado: