Segunda etapa do festival Terras Sem Sombra é em Alter do Chão com os La Ritirata

Alter do Chão

A segunda etapa do Festival Terras Sem Sombra cumpre-se no próximo fim de semana em Alter do Chão, no Alto Alentejo, com um concerto pelos La Ritirata.

Além do concerto pelo ensemble La Ritirata, no Cineteatro Municipal, no sábado à noite, em que vai apresentar música das cortes de Nápoles e Espanha nos séculos XVI e XVII, o programa completa-se com uma visita à Casa da Medusa, e uma ação de salvaguarda da biodiversidade, no domingo de manhã, subordinada ao tema “Antigas Profissões, Novas Vocações: A Escola e o Mundo Rural”.

O concerto dos espanhóis La Ritirata intitula-se “Il Spiritillo Brando: Música de Corte na Península Ibérica e no Vice-Reino de Nápoles“, e inclui peças de Giovanni Antonio Pandolfi Mealli, Andrea Falconieri, Domenico Gabrielli, Giuseppe Maria Jacchini, Santiago de Murcia, Diego Ortiz, Andrea Falconieri, Bartolomé De Selma y Salaverde e Gaspar Sanz.

O ensemble, que segue a interpretação historicamente informada, existe há dez anos, tendo sido formado por Josetxu Obregón (violoncelo barroco), que o dirige. É ainda constituído por Tamar Lalo (flauta de bisel) e Daniel Zapico (tiorba).

Além de Espanha, onde participou nos projetos Universo Barroco e Liceo de Cámara, do Centro Nacional de Difusión Musical, o agrupamento tocou no Auditorio Nacional de Música, em Madrid, no festival Musika-Música/La Folle Journée, em Nantes, no Palácio Euskalduna, em Bilbau, e nos festivais de Música Antiga, em Barcelona, de Santander e de Úbeda y Baeza, entre outros, e atuou também no México, Chile, Colômbia, Costa Rica, Bolívia, Equador e Peru.

Em 2018, o ensemble editou os álbuns “Neapolitan Concertos for Various Instruments” e “Alessandro Scarlatti: Quella Pace Gradita”.

Os La Ritirata foram o primeiro grupo de música antiga a receber o Premio Ojo Crítico, da Rádio Nacional de Espanha, em 2013, e, entre outros galardões, receberam o Prémio de Cultura da Comunidade de Madrid, em 2017 e, por quatro vezes, o Prémio GEMA, da Asociaciação de Grupos Espanhóis de Música Antiga. Em 2018, foram distinguidos com o Prémio da Crítica de Espanha e, em 2019, com os prémios do Público para o Melhor Grupo e o Melhor Grupo de Música Barroca.

O seu diretor, Josetxu Obregón, estudou violoncelo, música de câmara e direção de orquestra em Espanha, Alemanha e nos Países Baixos, tendo concluído a especialização em Violoncelo Barroco, no Koninklijk Conservatorium, em Haia, sob a orientação de Anner Bylsma (1934-2019).

Obregós fez parte de outros agrupamentos e tem colaborado com a Koninklijk Concertgebouworkest, de Amesterdão, a Rotterdams Philharmonisch Orkest, também dos Países Baixos, o grupo l’Arpeggiata, a Orquestra Barroca da União Europeia, os Arte dei Suonatori e o agrupamento Al Ayre Español.

O Terras Sem Sombra, sob a direção artística de Juan Ángel Vela del Campo, define-se como um tríptico – Música, Património Cultural e Salvaguarda da Biodiversidade. Além da música inclui uma visita guiada a um espaço patrimonial e uma ação de salvaguarda da biodiversidade.

No sábado à tarde, antes do concerto, o arqueólogo Jorge António orienta uma visita ao sítio arqueológico romano da Casa da Medusa, no Ferragial d’El-Rei, constituída por uma área residencial, termas e uma necrópole datada da Antiguidade tardia.

Tratava-se de uma ‘villa’ de Abelterium (Alter do Chão), junto a uma das três vias que ligavam Olisipo (Lisboa) à capital da Lusitânia, Augusta Emerita (Mérida). O proprietário seria, ao que tudo indica, um aristocrata local, de inquestionável riqueza, formação cosmopolita e gosto requintado, que ostensivamente decorou e transformou a sua casa numa residência de luxo, com pinturas murais, pavimentos em mosaico e diversas esculturas de enorme qualidade artística e técnica. Sobressai o mosaico do triclinium (sala de jantar), da primeira metade do século IV, representando a clemência de Alexandre Magno para com Poro, rei de Paurava, após a vitória na célebre batalha de Hidaspes, travada em maio de 326 antes de Cristo“, refere a organização na apresentação da visita.

No domingo de manhã, os professores Sérgio Pires, Luís Cabaço, Vera Tita e Pedro Mendes dirigem a visita à Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão, que gere a Coudelaria de Alter, na Herdade do Outeiro.

Esta escola, que iniciou a atividade pedagógica em 1990, “aposta em iniciativas sustentáveis, relacionadas com a agricultura e a equitação, de modo a promover um espírito empreendedor, dando especial atenção à conservação da biodiversidade, como, por exemplo, a valorização do Puro-Sangue Lusitano, a principal raça equina autóctone do nosso país, e a criação de um efetivo pecuário ou de uma horta tradicional que, além de familiarizar os jovens com as espécies e variedades regionais, fornece produtos de qualidade à cantina escolar“.

Esta é a 17.ª edição do Festival Terras Sem Sombra, que se iniciou no passado dia 19, em Barrancos, e tem como país convidado a Bélgica, que sucedeu à Checoslováquia (2019).

Todas as iniciativas, são gratuitas, decorrem aos fins de semana, e seguem “as regras sanitárias determinadas pelas autoridades de saúde, no âmbito do combate à pandemia da covid-19“.

As próximas etapas cumprem-se em Arraiolos (03 e 04 de julho), Santiago do Cacém (17 e 18 de julho), Castelo de Vide (31 de julho e 01 de agosto), Beja (07 e 08 de agosto), Sines (21 e 22 de agosto), Ferreira do Alentejo (04 e 05 de setembro), Viana do Alentejo (12 e 13 de setembro) e Vila Nova de Mil Fontes, no concelho de Odemira (18 e 19 de setembro).