O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, considerou que o programa Refúgios Climáticos | Stay Cool representa uma resposta concreta aos desafios colocados pelas alterações climáticas e defendeu que a iniciativa deve envolver não apenas as entidades públicas, mas toda a sociedade.
Durante a apresentação do programa em Monsaraz, o governante afirmou que as alterações climáticas deixaram de ser uma preocupação teórica para passarem a ter impactos diretos no quotidiano das populações, na economia e na atividade turística.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Pedro Machado sublinhou que os refúgios climáticos constituem uma resposta que vai ao encontro das prioridades definidas a nível europeu e nacional, considerando que o projeto surge numa altura em que os efeitos das alterações climáticas são cada vez mais visíveis.
«As alterações climáticas já não são um tema académico»
Para o secretário de Estado, os fenómenos associados às alterações climáticas têm hoje consequências concretas em diversos setores de atividade.
«Não é um tema académico. Estamos a falar de uma matéria objetiva que hoje influencia consumidores e gestores», afirmou, apontando exemplos relacionados com a gestão dos recursos hídricos e com as transformações observadas em vários destinos internacionais.
Pedro Machado recordou que Portugal já enfrentou situações que obrigaram à adoção de medidas de adaptação, nomeadamente durante períodos de escassez de água, situação que levou à implementação de restrições em alguns territórios turísticos.
Segundo o governante, estes exemplos demonstram que os impactos das alterações climáticas são uma realidade que exige respostas coordenadas e continuadas.
Projeto deve mobilizar toda a sociedade
Um dos aspetos mais destacados por Pedro Machado foi a necessidade de envolver diferentes setores da sociedade na mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
O secretário de Estado considerou que a criação da rede de refúgios climáticos deve ser encarada como uma «convocatória nacional», envolvendo governos, autarquias, comunidades intermunicipais, empresas e organizações da sociedade civil.
«Não é possível nós pararmos o efeito das alterações climáticas», afirmou, defendendo que a resposta passa por uma ação coletiva capaz de reforçar a adaptação dos territórios e das comunidades.
Sustentabilidade influencia cada vez mais as escolhas dos turistas
Pedro Machado destacou também a crescente importância da sustentabilidade nas decisões dos viajantes e no posicionamento dos destinos turísticos.
Segundo explicou ao Jornal ODigital.pt, os turistas estão cada vez mais atentos às práticas ambientais dos destinos e das empresas do setor, procurando experiências compatíveis com a redução da pegada ecológica.
O governante recordou situações em que jornalistas e operadores internacionais questionavam aspetos relacionados com mobilidade sustentável, utilização eficiente dos recursos ou práticas ambientais adotadas pelos empreendimentos turísticos.
«As tendências dos mercados, sobretudo da procura turística, estão muito alavancadas pela conjugação entre a experiência turística e a mitigação da pegada de carbono», referiu.
Investimento deve ajudar a mudar comportamentos
O secretário de Estado considera que os instrumentos de financiamento disponibilizados pelo Turismo de Portugal devem contribuir não apenas para a realização de investimentos físicos, mas também para a alteração de comportamentos.
«Também tem que ser para podermos mudar atitudes», afirmou, defendendo que a adaptação às alterações climáticas exige mudanças na forma como os cidadãos, as empresas e as instituições encaram a sustentabilidade.
Pedro Machado salientou que esta preocupação é particularmente relevante junto das gerações mais jovens, que demonstram maior sensibilidade para questões relacionadas com a sustentabilidade ambiental e a redução das emissões de carbono.
Turismo pode encontrar novas formas de valorização dos territórios
Na sua intervenção, o governante defendeu ainda que a adaptação às alterações climáticas pode abrir novas oportunidades para a atividade turística.
Pedro Machado apontou exemplos como a reorganização dos horários de eventos, a valorização de espaços menos convencionais e o aproveitamento de recursos diferenciadores dos territórios.
Segundo explicou, iniciativas como o Dark Sky Alqueva demonstram que é possível desenvolver experiências turísticas em horários alternativos, adaptando a oferta às condições climáticas e criando novas formas de fruição dos destinos.
O secretário de Estado considerou ainda que esta adaptação poderá contribuir para distribuir melhor os fluxos turísticos ao longo do ano e para valorizar recursos que até agora não se encontravam entre as principais motivações de visita.
Projeto considerado relevante para o país
Pedro Machado classificou o programa Refúgios Climáticos | Stay Cool como uma iniciativa com relevância estratégica para Portugal, sublinhando que envolve várias áreas governativas, desde o turismo ao ambiente, energia e agricultura.
O governante destacou ainda a importância do selo que identificará os espaços integrados na rede nacional, considerando que essa certificação permitirá reforçar a confiança dos utilizadores e garantir a perceção de qualidade e segurança.
«É um projeto muito relevante para o país», afirmou ao Jornal ODigital.pt, defendendo que a iniciativa poderá contribuir simultaneamente para a adaptação climática, para a competitividade do turismo e para a coesão territorial.



















