Seca: Agricultores de Portalegre compram alimento para gado a preços “proibitivos”

A seca está a provocar “problemas a vários níveis” aos agricultores do distrito de Portalegre, que estão a recorrer à compra de alimentos para os animais em Espanha e França a preços considerados “proibitivos” para o setor.

“A ausência de comida seria até normal em agosto, mas o problema é que também já não tivemos para trás. O ano passado já foi mau de colheitas e as reservas já não existiam”, lamentou a presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP), Fermelinda Carvalho, contactada pela Lusa.

De acordo com a responsável, como a seca está também a afetar outros países, como França e Espanha, os preços dos alimentos para os animais dispararam para valores muito elevados, além de haver menos disponibilidade.

“Era muito habitual [fazer-se com estes países] as trocas comerciais de feno e de palha. Como também produziram menos, é difícil neste momento comprar. Está a preços proibitivos, mas tem de se comprar. O problema é que não há quase disponibilidade nenhuma, é difícil”, relatou.

A representante disse ter conhecimento de casos em que os agricultores pagaram à cabeça e que não lhes foi entregue o produto.

A presidente da AADP recordou ainda que as barragens e as charcas nas explorações agrícolas encheram há vários meses, mas os furos nem tanto, situação que está a preocupar o setor.

“A água que choveu foi muito de repente e não se infiltrou suavemente. E alguns furos também já estão sem água”, alertou.

Face à falta de alimentos, há agricultores a “abater um grande número de animais” e os leilões de gado também têm estado cheios nos últimos tempos.

“Há aqui um aproveitamento também – como há sempre nestas coisas – em termos do preço da carne, que está muito baixo”, acrescentou.

A maior participação em leilões tem sido uma das medidas dos agricultores do Alentejo, tal como o recurso aos matadouros, para se desfazer dos animais, sobretudo o gado bovino, de forma a fazer face à atual situação no setor, com falta de pastagem e preços elevados de palha e rações.

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