O Cine-Teatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, recebe este sábado o Simpósio Temático Internacional «Maria, uma Mulher entre o Humano e o Divino: Teologia, Cultura e Arte», promovido pelo Instituto da Padroeira de Portugal (IPPEM). A iniciativa assinala os 75 anos da proclamação do dogma da Assunção de Nossa Senhora e reúne investigadores e especialistas de Portugal, Espanha e Roménia.
O encontro conta com a participação de académicos da Universidade de Évora, Universidade Católica Portuguesa, Universidade Aberta, Universidade de Olvidius (Roménia), Universidade de Granada e Universidade de Lisboa. A entrada é livre e o evento é acreditado como ação de formação para professores. O simpósio tem o apoio do Município de Vila Viçosa e de várias instituições científicas nacionais e internacionais.
José Eduardo Franco, presidente do Conselho Científico Internacional do CECHAP e um dos organizadores do simpósio, destacou o papel do IPPEM na promoção dos estudos marianos em Portugal. «O Instituto da Padroeira de Portugal é único no país e na nossa história. Foi criado precisamente para promover os estudos sobre Maria e a sua ligação à cultura, à história, à arte e até à política».
O investigador recordou ainda a profunda influência de Maria na identidade espiritual e cultural portuguesa. «Se há país que é mariano, é Portugal. Deve muito à influência de Maria, quer na espiritualidade, quer na cultura e na arte». Sublinhou também a escassa presença destes estudos nas instituições académicas: «A importância do culto mariano é inversamente proporcional à atenção que lhe dedicamos em termos de estudo e conhecimento».
José Eduardo Franco referiu ainda a projeção universal da figura de Maria: «Até a National Geographic reconheceu Maria como a mulher mais poderosa da história. É a figura feminina mais global de sempre, venerada por povos e civilizações em todos os continentes». Segundo o investigador, Portugal teve um papel relevante nessa difusão: «Se há país que contribuiu para a globalização de Maria, foi Portugal. Não só através do Santuário de Fátima, mas também desde o século XVI, quando levou o culto mariano a outros continentes».
Para o académico, o simpósio é uma oportunidade de reflexão e de aprofundamento do conhecimento sobre a importância de Maria na fé e na cultura. «Estudar Nossa Senhora é também estudar a nossa própria história. É compreender o impacto de uma figura que continua a inspirar a humanidade, quer no plano da fé, quer no plano cultural».
A dimensão teológica de Maria
Na abertura dos trabalhos, o Cónego Francisco Couto destacou a centralidade de Maria no mistério da encarnação. «O acontecimento de Cristo não acontece sem Maria. Esta é uma verdade teológica. Deus não opera a salvação da humanidade à margem da própria humanidade, mas entrou na história através da encarnação, submetendo-se à maternidade de Maria».
O sacerdote sublinhou a importância teológica da maternidade de Maria, considerando-a «a chave para compreender a razão da encarnação». Citando a Bula Ineffabilis Deus de Pio IX e a Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, referiu que «a predestinação de Maria foi concebida simultaneamente com a Encarnação do Verbo».
Segundo o Cónego, «Maria é a realização plena da Igreja». A sua maternidade divina e a sua participação na humanidade de Cristo representam «a graça suprema, o decreto da graça e da redenção por excelência»francisco couto. Acrescentou ainda que «a plenitude da graça de Maria corresponde à libertação da morte», o que explica a doutrina da Assunção corpórea da Mãe de Deus.
Concluindo a sua intervenção, o Cónego Francisco Couto afirmou que o objetivo do estudo mariológico «não é simplesmente conhecer Maria, mas viver dela e como ela, entre o humano e o divino». E deixou uma mensagem aos participantes: «Não queremos simplesmente saber, mas viver dela e como ela. Votos de excelente simpósio».
Reflexão e conhecimento
O Simpósio Temático Internacional promovido pelo IPPEM constitui, segundo os organizadores, um contributo relevante para o aprofundamento dos estudos marianos em Portugal e para a valorização do papel de Maria na história da fé e da cultura. «Deixamos aqui uma semente de conhecimento que possa proliferar», referiu José Eduardo Franco, destacando que o objetivo é «promover uma compreensão mais completa do significado de Maria na história do cristianismo e da humanidade».



























