O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Roberto Grilo, defendeu que Arronches é um exemplo de como os territórios de baixa densidade podem afirmar-se pela sua capacidade económica, destacando o papel das empresas, da agricultura e da cooperação com Espanha durante a inauguração da XV Feira das Atividades Económicas (FAE).
«A feira afirma o território»
Na cerimónia de abertura da FAE, Roberto Grilo considerou que o certame «não é apenas um momento de festa», mas antes «um momento de afirmação do nosso território», sublinhando que a iniciativa dá visibilidade ao tecido económico do concelho.
O responsável da CCDR Alentejo salientou que Arronches, apesar de contar com cerca de 2.800 habitantes, possui empresas que geram um volume de negócios anual na ordem dos 20 milhões de euros, realidade que demonstra que «os territórios não podem ser avaliados apenas pela quantidade de habitantes que têm».
Segundo explicou, estes devem ser analisados «também pelo que produzem, pelo emprego que criam, pelos recursos que valorizam e pelo contributo que dão à coesão e à economia do nosso país».
Nesse contexto, afirmou que a Feira das Atividades Económicas «torna visível a economia real do concelho de Arronches», dando destaque aos empresários, produtores e trabalhadores que continuam a investir no território.
Alentejo assume papel estratégico na economia nacional
Durante a intervenção, Roberto Grilo enquadrou a importância de Arronches na realidade regional, recordando que o Alentejo representa cerca de um terço do território nacional e da superfície agrícola portuguesa.
Acrescentou que a região lidera setores estratégicos, referindo que concentra cerca de 80% da produção nacional de azeite e ocupa posições relevantes em áreas como a pecuária, a cortiça, o vinho, as energias renováveis e o turismo.
Para o vice-presidente da CCDR Alentejo, estes indicadores demonstram que «os territórios de baixa densidade não são territórios de baixa importância», uma vez que produzem alimentos, gerem recursos naturais, preservam património e contribuem para a coesão territorial.
Cooperação com Espanha é uma oportunidade
Outro dos temas destacados foi a posição geográfica de Arronches junto à fronteira espanhola.
Roberto Grilo defendeu que «a fronteira não pode ser vista como uma margem», considerando que deve antes ser assumida «como uma centralidade e como uma oportunidade».
Na sua perspetiva, a proximidade à Extremadura favorece a cooperação institucional, as relações empresariais, a internacionalização e a criação de valor dos dois lados da fronteira.
Fundos europeus exigem estratégia
O responsável da CCDR Alentejo recordou ainda que o Programa Regional Alentejo 2030 dispõe de mais de 1.100 milhões de euros de fundos europeus para apoiar projetos ligados à competitividade, inovação, transição climática e energética, qualificação e coesão territorial.
Contudo, advertiu que «os fundos, por si só, não desenvolvem os territórios», defendendo que o desenvolvimento depende também de estratégia, iniciativa, investimento, capacidade empresarial e cooperação entre administração pública, municípios, empresas e comunidades locais.
No final da intervenção, Roberto Grilo felicitou o Município de Arronches pela realização da feira e deixou uma mensagem de reconhecimento aos empresários, produtores, associações e expositores presentes, considerando que são estes agentes que «todos os dias transformam este território em economia, recursos em valor e iniciativa, emprego».



















