O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Ricardo Pinheiro, defende que o planeamento do território deve ultrapassar os ciclos políticos e ser orientado por uma visão de médio e longo prazo para a região.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, em Moura, Ricardo Pinheiro considerou que a avaliação da ação política não deve estar centrada apenas na conclusão de obras durante determinado mandato.
“Ninguém quer que os projetos aconteçam num determinado mandato político”, afirmou, acrescentando que a forma como os cidadãos olham para a política “não se prende muitas vezes com a inauguração de uma obra”, mas com a capacidade dos responsáveis políticos para pensar “o planeamento e a perspetiva do território”.
Investigação e desenvolvimento entre os indicadores para o futuro
Ricardo Pinheiro apontou também o investimento em investigação e desenvolvimento como um dos indicadores que devem ser considerados na definição da estratégia regional.
O presidente da CCDR Alentejo referiu a necessidade de analisar a percentagem da riqueza produzida que é aplicada nestas áreas e destacou a agricultura como um setor onde esse investimento tem vindo a assumir expressão.
“A agricultura tem-nos dado um exemplo fantástico nesta matéria”, afirmou, defendendo que a região deve começar a preparar a sua posição perante o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia.
Saúde apontada como fator para manter população no território
A saúde é outra das áreas que Ricardo Pinheiro considera determinantes para o futuro da região.
Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, o responsável afirmou que esta é uma preocupação existente entre os autarcas do Alentejo e destacou o trabalho desenvolvido em Moura para assegurar condições financeiras para investimentos no setor.
Para Ricardo Pinheiro, “a saúde é eventualmente um dos grandes fatores determinantes para que as pessoas continuem a acreditar neste território”.
Centro de Saúde de Moura entrou na reprogramação dos fundos
O presidente da CCDR Alentejo destacou, neste contexto, o Centro de Saúde de Moura, referindo que o investimento foi considerado no processo de reprogramação dos fundos comunitários.
“O Centro de Saúde de Moura foi um daqueles que marcou uma posição à escala da reprogramação dos fundos comunitários”, afirmou Ricardo Pinheiro.
O responsável defendeu que os recursos provenientes da União Europeia devem ser direcionados para os problemas identificados na região, sustentando que as verbas comunitárias “devem estar disponíveis para aquilo que são as principais necessidades do nosso território”.
Objetivo passa por conseguir que os jovens regressem
A retenção de população foi outra das prioridades apontadas pelo presidente da CCDR Alentejo.
Ricardo Pinheiro considerou que a saída de jovens para frequentarem o ensino superior fora da região não deve ser encarada como um problema, desde que o território consiga criar condições para o seu regresso.
“O compromisso do Alentejo, a partir de Moura, é que saiam, mas queiram voltar ao fim dos quatro ou cinco anos de estudo”, afirmou, considerando que o contributo destes jovens é necessário para o desenvolvimento futuro da região.
Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, Ricardo Pinheiro associou estas prioridades a uma estratégia regional assente na cooperação entre municípios, instituições e agentes económicos e na definição de objetivos que ultrapassem a duração de cada mandato político.
















