A restauração gerou, em 2025, um impacto total de 23,4 mil milhões de euros em valor acrescentado bruto (VAB), equivalente a 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB), e esteve associada a 523 mil postos de trabalho. Os dados constam de um estudo elaborado pela EY-Parthenon e divulgado pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que aponta, em paralelo, para uma margem líquida de 3% no setor.
O Estudo de Impacto Económico do Setor da Restauração, divulgado esta semana pela AHRESP, procurou medir o contributo da atividade para a economia portuguesa, considerando não apenas os estabelecimentos, mas toda a cadeia de valor associada.
De acordo com o documento, os 523 mil postos de trabalho correspondem a 9,7% do emprego nacional. O setor esteve ainda associado a 11,7 mil milhões de euros em remunerações, o equivalente a 7,9% do total nacional, e a 6,45 mil milhões de euros de receita fiscal e contributiva, ou 5,9% do total.
Cada euro gerado mobiliza 2,5 euros na economia
O estudo calcula que, por cada euro gerado diretamente nos estabelecimentos de restauração, sejam mobilizados 2,5 euros na economia portuguesa.
A atividade mantém igualmente uma relação direta com o turismo, absorvendo cerca de 24% da despesa realizada pelos turistas e representando 24,4% do VAB turístico.
Mais de metade do impacto económico identificado ocorre, segundo o estudo, fora da própria restauração. A cadeia envolve setores como a agricultura, pescas, indústria alimentar e de bebidas, distribuição, energia e transportes.
Neste contexto, a atividade sustenta cerca de 260 mil postos de trabalho noutros setores e 6,2 mil milhões de euros em remunerações fora da restauração. Em vários concelhos do interior do país e do Algarve, representa entre 7% e 11% do tecido empresarial local.
91% das empresas são microempresas
Apesar destes indicadores, o estudo identifica limitações na estrutura financeira e empresarial do setor. Cerca de 91% das empresas são microempresas, responsáveis por 39% do volume de negócios.
A margem líquida das sociedades de restauração situa-se nos 3%, quando no conjunto da economia atinge 8,2%. O documento aponta ainda para um saldo empresarial negativo, com mais encerramentos do que novas empresas, e refere que Portugal se encontra entre os poucos países da União Europeia nesta situação.
O financiamento também é apontado como uma das fragilidades: 71% do balanço das empresas é suportado por capital alheio, enquanto a taxa de juro efetiva subiu para 4,5%.
Já a produtividade é estimada em 19,4 mil euros por trabalhador, valor que corresponde a cerca de 60% da média nacional.
AHRESP pede que situação seja considerada no Orçamento do Estado para 2027
No comunicado que acompanha o estudo, a AHRESP relaciona estas fragilidades com a evolução dos custos suportados pelas empresas e com a incerteza económica.
A associação considera que o peso da restauração na economia e a situação financeira das empresas devem ser considerados na definição das políticas públicas, nomeadamente durante a preparação do Orçamento do Estado para 2027, defendendo a criação de condições que permitam responder ao aumento dos custos e preservar o emprego.
















