Para além de todas as potencialidades conhecidas de toda a área da Serra D’Ossa, todo este lugar tem condições propícias para preparar militares portugueses para todo o tipo de operações que possam surgir.
É maioritariamente na região de Estremoz que grande parte dos exercícios da área do reconhecimento, são realizados e, neste contexto, foi onde, no dia 9 de janeiro, com o apoio do Regimento de Cavalaria N.º3 (RC3), teve início o exercício de tática de reconhecimento, do Tirocínio para Oficial de Cavalaria e do 50ª Curso de Formação de Sargentos de Cavalaria, sob a responsabilidade da Escola das Armas (Mafra).

O papel do Regimento de Cavalaria N.º3, de Estremoz, neste exercício, é “garantir o apoio à tática de reconhecimento do Tirocínio para Oficial de Cavalaria e do Curso Formação de Sargentos de Cavalaria”, explicou-nos o Tenente-Coronel Duarte Caldeira, Comandante do Agrupamento ISTAR (Intelligence, Surveillance, Target Acquisition and Reconnaissance).
Durantes estes dias, o “apoio é dado [pelo RC3] através da cedência de material, equipamento e meios humanos”, nomeadamente, cedendo “viaturas táticas, armamento orgânico, equipamentos de apoio, chefes de viatura e condutores”.

No exercício de tática de reconhecimento, encontram-se em formação 22 militares, nomeadamente, 10 Aspirantes-Alunos do Tirocínio para Oficiais de Cavalaria e 12 Instruendos-Alunos do Curso de Formação de Sargentos de Cavalaria / Técnico Superior Profissional em Tecnologias Militares Terrestres (CFS Cav), sempre apoiados, no terreno, pelo Esquadrão de Reconhecimento e pela equipa de instrutores da Escola das Armas.
Sobre as potencialidades da Serra D’Ossa para a realização deste tipo de exercício, o Tenente-Coronel Duarte Caldeira, realçou ser “uma área de grande importância para o Exército Português, uma vez que as características e condições desta área, são ideais para a formação e treino de diferentes valências táticas, no entanto, assumindo um valor especial para o cumprimento de missões das Unidades de Reconhecimento.”

Sobre a formação realizada em plena Serra D’Ossa, encontra-se inserida nos módulos de Tática do Curso de Cavalaria e permite aos alunos colocarem em prática os conhecimentos técnicos e táticos, adquiridos, bem como desenvolver a capacidade de desembaraço, flexibilidade e iniciativa, qualidades essenciais ao Comando de Unidades de manobra.
Durante estes dias são avaliadas as capacidades dos 24 formandos na tática de reconhecimento, em exercícios onde “são desempenhadas essencialmente as missões de reconhecimento e de segurança”, como nos disse o Capitão de Cavalaria Pedro Lopes, diretor de Tirocínio para Oficial de Cavalaria.

Segundo nos explicou o Capitão de Cavalaria Pedro Lopes, “esta tipologia de força tem características bastante flexíveis, o que permite-nos desenvolver todas as tarefas que são expectáveis, para no futuro, tanto os futuros Oficiais como os Sargentos de Arma de Cavalaria, saberem todas as funções que devem desempenhar e, essencialmente, prepará-los para os desafios que podem aparecer”.
No exercício a que ODigital.pt assistiu, foi possível observar os militares numa formação técnica e tática, executando os procedimentos associados ao planeamento e conduta de operações de um Pelotão de Reconhecimento, nomeadamente, “a planear as operações futuras, em que lhes é atribuída determinada missão que carece de um planeamento exaustivo”, explicou-nos.

Sendo um Pelotão de Reconhecimento, essencial para visualização das condições de progressão de Unidades militares de elevado escalão, uma vez que realizam o reconhecimento dos terrenos e outros aspetos, através dos quais, estas Unidades poderão fazer-se deslocar, ou não, as boas comunicações são essenciais para o sucesso de uma operação. Nesta linha, tivemos oportunidade de assistir à montagem de um sistema de comunicação por cabo e em redundância com os meios de comunicação rádio, para que a partir do Posto de Comando fosse fornecida toda a informação às forças que se deslocam na retaguarda da Unidade de reconhecimento.
Nas imediações do Posto de Comando, instalado num local de máxima visibilidade, os militares constroem “uma caixa de areia, que servirá como ferramenta para a explicação da ordem de operações, que será essencialmente o fio condutor da operação que se segue e a partir daí, os alunos tomam as rédeas da força que têm disponível, para a prática do treino e conduzem as operações, seja com, ou sem incidentes, por parte da nossa equipa de instrução, essencialmente para também desenvolver a flexibilidade táctica de cada aluno e a forma como reage aos incidentes que serão naturais neste tipo de operações”, explicou-nos Capitão de Cavalaria Pedro Lopes.

O Reconhecimento poderá ser de Zona ou de Área, sendo que no primeiro os militares terão de obter noticias acerca do terreno, inimigo ou da população numa zona. A informação pretendida pode ser referente a itinerários, obstáculos, contaminação Nuclear, Biológica ou Química ou pontos importantes. Já o Reconhecimento de Área pretende obter informações sobre terreno, inimigo ou população numa faixa de terreno mais limitada. Esta pode ser uma área arborizada, urbana ou uma zona de reunião. Poderá pretender-se verificar a presença de forças inimigas ou a possibilidade de usar essa área por forças amigas.
Desta formação, cujo módulo de tática de reconhecimento, se encontra a decorrer em plena Serra D’Ossa, sairão Oficiais, que no futuro irão comandar Pelotões de Reconhecimento (pertencentes a ou Esquadrão de reconhecimento) e Sargentos que irão desempenhar as funções de Sargento de Pelotão ou de Comandante de Secção desses Pelotões, os quais se constituem como os “olhos e os ouvidos” das Unidades militares de elevado escalão, denominadas de Grandes Unidades.








































































