A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo já incorporou o conceito de refúgios climáticos na sua estratégia de promoção turística e considera que o novo programa apresentado pelo Turismo de Portugal poderá reforçar a capacidade de adaptação do território às alterações climáticas.
A posição foi assumida por José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, durante a apresentação do Programa Refúgios Climáticos | Stay Cool, realizada em Monsaraz, onde destacou o trabalho que a região tem vindo a desenvolver na valorização de locais associados à água e ao conforto térmico.
Conceito já integra promoção turística do Alentejo
Segundo José Santos, o tema dos refúgios climáticos começou a ser trabalhado pela entidade regional há cerca de um ano, sobretudo nas campanhas dirigidas ao mercado espanhol.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o responsável explicou que existe uma perceção crescente de redução da procura turística em alguns destinos do interior durante os períodos mais quentes do ano, uma tendência que também se verifica em Espanha.
«Nós começámos a incorporar este tema dos refúgios climáticos já no nosso marketing, há cerca de um ano, especialmente na comunicação que fazemos em Espanha», afirmou, acrescentando que o comportamento dos turistas tem vindo a alterar-se em função das condições climáticas.
José Santos recordou que muitos turistas espanhóis procuram atualmente regiões mais frescas do norte do país e considera que esta realidade deve ser tida em conta na definição das estratégias turísticas para o interior de Portugal.
Estações náuticas associadas ao conceito de refúgio climático
Uma das apostas da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo passa pela valorização das estações náuticas como espaços associados ao conforto térmico e ao contacto com a água.
O responsável explicou que a região possui atualmente oito estações náuticas certificadas e está a trabalhar na certificação de mais três, considerando que estes equipamentos podem desempenhar um papel relevante no âmbito da nova rede nacional.
«Procurámos associá-lo, numa primeira linha, àquilo que são as estações náuticas», afirmou José Santos, referindo que a proximidade à água transmite «uma sensação de frescura» e de conforto térmico para residentes e visitantes.
Campanha turística valoriza a água no interior
José Santos destacou ainda que a mais recente campanha promocional do Alentejo para o mercado nacional também segue essa linha estratégica.
Segundo explicou ao Jornal ODigital.pt, a campanha «Alentejo não se explica, descobre-se com vagar» apresenta vários locais ligados à água, incluindo Monsaraz, as estações náuticas e a Praia Fluvial de Mértola.
O objetivo passa por reforçar a atratividade do interior alentejano e apresentar alternativas turísticas associadas ao conforto térmico e à natureza.
Refúgios climáticos podem ser aplicados a eventos e património cultural
Para José Santos, o programa agora apresentado pode ter aplicações que vão além dos espaços inicialmente previstos.
O presidente da entidade regional considera que o conceito poderá ser adaptado a eventos culturais, sobretudo durante os meses de verão, através da realização de iniciativas em horários noturnos.
«Temos procurado sensibilizar os municípios para que os eventos nesta altura possam começar mais tarde», explicou, apontando como exemplo iniciativas realizadas em fortalezas e castelos durante a noite, associadas à observação astronómica no território Dark Sky Alqueva.
O responsável entende igualmente que igrejas, espaços patrimoniais e locais de espiritualidade poderão integrar a rede de refúgios climáticos, funcionando simultaneamente como locais de visita cultural e espaços de proteção face ao calor.
Recordando o período em que estudou em Évora, José Santos referiu que utilizava frequentemente as igrejas da cidade para encontrar temperaturas mais amenas durante o verão, considerando que essa experiência demonstra o potencial destes espaços para integrarem a iniciativa.
Capital Europeia da Cultura pode beneficiar da iniciativa
José Santos considera que a futura Capital Europeia da Cultura Évora 2027 também poderá beneficiar da implementação de soluções associadas aos refúgios climáticos.
O responsável destacou projetos como a instalação «Floresta Nómada», que prevê a plantação de mais de 10 mil árvores no Rossio de São Brás, com o objetivo de reduzir a temperatura média naquele espaço durante os meses mais quentes.
Adiantou ainda que o futuro Welcome Center da Capital Europeia da Cultura deverá integrar a rede nacional de refúgios climáticos.
Programa deve envolver comunidades intermunicipais
Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, José Santos defendeu igualmente que o programa do Turismo de Portugal deve ser articulado com as comunidades intermunicipais, tendo em conta o trabalho que estas estruturas já desenvolvem na área da adaptação climática.
«Era muito interessante que este programa integrasse também essas estratégias de ação local», afirmou, considerando que uma maior articulação poderá garantir uma intervenção mais coerente e eficaz nos diferentes territórios.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo concluiu que o Alentejo reúne condições naturais que o tornam particularmente adequado para o desenvolvimento deste conceito, destacando exemplos como a faixa costeira e experiências ligadas ao enoturismo.
Para José Santos, a nova rede nacional poderá constituir mais uma ferramenta para reforçar a adaptação do turismo regional às alterações climáticas e responder aos desafios colocados pelas temperaturas elevadas.


















