A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Redondo, no distrito de Évora, celebrou este domingo o seu 75.º aniversário, numa cerimónia que reuniu autoridades locais, regionais e nacionais. O encontro serviu para homenagear o percurso da corporação e refletir sobre o futuro do voluntariado em Portugal.
Sete décadas e meia de serviço à comunidade
Nas declarações proferidas, o comandante Sérgio Valente sublinhou o espírito que define a corporação. «São 75 anos de abnegação, coragem, lealdade e serviço», afirmou, recordando todos os bombeiros que passaram pela instituição. Reforçou que «cada missão representa um ato de entrega total» e que o lema «Vida por vida» continua a guiar a ação diária dos operacionaissergio_valente.
O responsável destacou ainda o papel das famílias, «que a cada toque de sirene ficam de coração nas mãos», e deixou uma mensagem de continuidade: «Que o serviço à causa comum continue sem que haja a menor dúvida de que todos prestamos o serviço acima da própria vida».
O desafio de manter viva a missão
Na sua intervenção, a presidente da Direção, Lurdes Pereira, lembrou o legado dos fundadores e a responsabilidade de o honrar. «Cabe-nos hoje continuar a melhorar sempre, para que o compromisso com a missão de proteger vidas e bens seja uma prioridade», afirmou.
Lurdes Pereira reconheceu, contudo, as dificuldades financeiras e estruturais que persistem. «Vivemos uma realidade com dificuldades. Necessitamos de veículos, ambulâncias e melhores condições para quem aqui trabalha», disse. A responsável alertou para a necessidade urgente de uma carreira digna para os bombeiros, sublinhando que «quem tem responsabilidades governativas deve olhar para o país real e agir».
Apelo à valorização da carreira dos bombeiros
O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora, Paulo Alves, reforçou esse apelo, defendendo a criação de «uma carreira justa e um estatuto remuneratório digno» para todos os bombeiros, voluntários e profissionais. «É muito urgente resolver este problema», afirmou, dirigindo-se diretamente ao Governo.
O dirigente agradeceu o trabalho do Secretário de Estado da Proteção Civil, mas lembrou que «os bombeiros estão cansados» e que «as mudanças precisam de chegar em breve». Paulo Alves destacou ainda a importância do apoio da Câmara Municipal e da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, «que têm sido parceiras fundamentais».
António Nunes elogia o trabalho e apela à coesão
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, reconheceu o esforço da Associação de Redondo e o papel essencial das autarquias no apoio ao setor. «Os bombeiros vivem tempos difíceis, as associações reclamam por maiores compensações financeiras e esperam que sejam resolvidos os temas mais urgentes», afirmou.
Dirigindo-se ao Secretário de Estado Rui Rocha, o dirigente sublinhou a confiança que o setor deposita no Governo. «Sabemos todos e depositamos uma grande confiança no senhor Secretário de Estado para nos ajudar a resolver alguns dos problemas dos bombeiros que bem conhece», declarou.
David Galego destaca o papel dos bombeiros e o apoio municipal
O presidente da Câmara Municipal de Redondo, David Galego, expressou «profunda gratidão e admiração» pelos bombeiros do concelho. «Vós sois verdadeiros heróis que, muitas vezes de forma anónima, zelam pelas nossas vidas e pelos nossos bens», afirmou.
O autarca sublinhou o apoio continuado da autarquia à Associação, referindo a criação de uma segunda Equipa de Intervenção Permanente, a aquisição de uma nova ambulância e o investimento em equipamentos de proteção. «Vamos continuar a lutar para dignificar este espaço e garantir melhores condições para quem todos os dias dá tanto por nós», assegurou.
Rui Rocha garante compromisso do Governo com o setor
O Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, encerrou a cerimónia destacando o papel dos bombeiros como «expressão mais nobre do voluntariado». «Ser bombeiro voluntário é mais do que exercer uma função. É viver um ideal», afirmou.
Rui Rocha reconheceu os desafios que o setor enfrenta — desde as mudanças climáticas até à falta de meios — e assegurou o compromisso do Governo em «valorizar e apoiar os bombeiros voluntários com melhores condições de trabalho, formação e equipamentos modernos».
O governante adiantou ainda que o Executivo está a concluir a nova Lei Orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e a preparar um estatuto de carreira para os bombeiros profissionais. «Nenhuma transformação acontece de forma imediata, mas o nosso compromisso é com o progresso sustentável, com diálogo e com decisões responsáveis», afirmou.
Uma história de 75 anos com futuro
A cerimónia terminou com a atribuição à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Redondo da Medalha de Mérito de Proteção e Socorro, Grau Prata, Distintivo Azul, concedida pelo Ministério da Administração Interna, reconhecendo o percurso exemplar da instituição ao serviço da comunidade.
Setenta e cinco anos depois da sua fundação, a corporação de Redondo mantém o mesmo propósito: servir a população com coragem, solidariedade e espírito de missão — fiel ao lema que ecoou em todas as intervenções: «Vida por vida».
















































































































































































































