O Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3) está a aumentar o número de militares através do recrutamento de pessoas de Estremoz e de outros pontos do Alentejo, revelou o Chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Ferrão, em declarações ao Jornal ODigital.pt.
“Temos já muitos estremocenses e muitos alentejanos no Regimento, porque temos optado por fazer o recrutamento local”, afirmou Eduardo Ferrão, considerando que esta estratégia está a permitir inverter uma realidade que o Exército enfrentava há cerca de uma década.
“Temos conseguido fazer aquilo que há uns dez anos não acreditávamos, que é crescer outra vez com pessoas de Estremoz e do Alentejo”, acrescentou o Chefe do Estado-Maior do Exército.
As declarações foram prestadas no âmbito das comemorações do 319.º aniversário do Regimento de Cavalaria n.º 3, realizadas esta terça-feira, 15 de setembro, em Estremoz.
Exército quer contribuir para fixar população em Estremoz
Para Eduardo Ferrão, a presença do Regimento na cidade tem consequências que ultrapassam a atividade militar, apontando o impacto da unidade na população e no território.
“O Regimento tem uma longa permanência em Estremoz. Fixa população e atrai população ao concelho, pois contribui para o seu desenvolvimento”, afirmou ao Jornal ODigital.pt.
O responsável máximo do Exército adiantou que o objetivo passa também por criar condições para que militares oriundos de outras regiões possam estabelecer-se no concelho.
“Estamos a trabalhar para que mais pessoas, mesmo não sendo estremocenses, venham para Estremoz e desejavelmente aqui se fixem”, explicou, acrescentando que esse processo já está a produzir resultados.
Eduardo Ferrão destacou ainda a importância da implantação do Exército em territórios do interior, considerando que unidades como o RC3 permitem manter uma maior proximidade com as populações.
A presença territorial, referiu, permite ao Exército “estar perto das pessoas” e prestar apoio quando necessário, defendendo que essa capacidade de resposta constitui uma das dimensões da permanência das unidades militares fora dos grandes centros urbanos.
RC3 em processo de adaptação
O crescimento dos efetivos ocorre num período em que o Regimento e o próprio Exército atravessam um processo de adaptação ao nível da organização, equipamentos, formação e treino.
“Nós estamos em permanente adaptação ao nível organizacional, ao nível dos equipamentos, ao nível da nossa formação e do treino. Nós não podemos estar parados”, afirmou Eduardo Ferrão.
O general enquadrou esta transformação nas alterações do contexto operacional e nas missões internacionais atualmente desempenhadas pelo Exército Português, referindo a presença de forças na Roménia, Eslováquia e República Centro-Africana.
Segundo o Chefe do Estado-Maior do Exército, estes cenários obrigam a manter níveis de preparação que permitam aos militares responder às diferentes missões e a assegurar os equipamentos necessários para as executar.
A modernização do Exército, acrescentou Eduardo Ferrão, não depende apenas dos meios disponíveis. O responsável defendeu que as pessoas devem permanecer no centro deste processo e que a transformação passa também pela forma como os militares “pensam, aprendem, discutem e inovam”.
No caso do RC3, Eduardo Ferrão salientou ainda a ligação ao território e a necessidade de a unidade continuar a encontrar o seu espaço neste processo de modernização do Exército.
















