A PSP de Évora tem registado uma maior procura por parte de vítimas de violência doméstica desde a criação de um espaço específico para o atendimento destes casos, revelou o comandante distrital, superintendente Carlos Anastácio.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, à margem da cerimónia do 151.º aniversário do Comando Distrital de Évora, realizada esta terça-feira, em PSP, o responsável fez um balanço positivo do primeiro ano de funcionamento daquele espaço.
“Aqui notamos uma maior afluência. As pessoas têm mais à vontade para virem apresentar queixa”, afirmou Carlos Anastácio, relacionando esta evolução com a existência de condições de atendimento que garantem maior privacidade às vítimas.
Segundo o comandante, o espaço foi preparado para proporcionar “um ambiente de maior intimidade”, procurando facilitar a denúncia e o relato das situações vividas.
Carlos Anastácio explicou ainda que o Comando Distrital de Évora afetou três elementos exclusivamente à área da violência doméstica, responsáveis pela deslocação às ocorrências e pelo acompanhamento posterior dos processos.
“Temos três elementos só para irem às ocorrências e fazerem o seguimento”, indicou, ressalvando que o serviço não funciona permanentemente devido às limitações de efetivos.
Maior sensibilização para denunciar agressões
O comandante distrital considera que existe atualmente uma maior sensibilização da população para a violência doméstica, tanto por parte das vítimas como das pessoas que testemunham agressões.
Carlos Anastácio recordou que, no passado, as relações de dependência dificultavam a apresentação de denúncias e levavam algumas vítimas a desistir dos processos.
“A própria mulher, pelas relações de dependência que havia, não apresentava queixa ou desistia”, afirmou, acrescentando que a perceção social deste tipo de crime tem vindo a alterar-se.
O responsável relatou ainda um caso ocorrido no último sábado, no qual um dos elementos dedicados à violência doméstica presenciou uma agressão quando se encontrava fora de serviço, acompanhado pela família.
Segundo Carlos Anastácio, o polícia interveio e deteve o suspeito, que viria posteriormente a ficar em prisão preventiva.
Criminalidade grave mantém números reduzidos
Questionado sobre a evolução da criminalidade no distrito, o comandante distrital afirmou que a área de responsabilidade da PSP de Évora continua a ser segura.
Carlos Anastácio alertou, contudo, para a interpretação de aumentos percentuais em territórios com um número reduzido de ocorrências, sobretudo nos crimes violentos e graves.
O responsável adiantou que, no primeiro semestre, foi registado um aumento de 16% naquela tipologia criminal, correspondente a cerca de cinco crimes.
“Nos comandos da nossa dimensão, basta um crime ou dois e sobe logo 100% ou 200%”, explicou, defendendo que os valores absolutos devem ser considerados na análise dos dados.
O comandante destacou também o aumento do número de detenções, referindo que o Comando Distrital de Évora realizou, em 2025, quase uma detenção por dia.
Carlos Anastácio sublinhou que cada detenção envolve trabalho administrativo, recolha de depoimentos e outras diligências, representando um volume de atividade que ultrapassa o momento da intervenção policial.
Ligação ferroviária criará novos desafios
O superintendente identificou a futura ligação ferroviária a Espanha como um dos desafios que o Comando Distrital de Évora terá de acompanhar.
De acordo com Carlos Anastácio, o aumento da circulação de pessoas associado à nova infraestrutura poderá alterar as necessidades de policiamento na região.
“Vai haver muito mais movimentação de pessoas, inclusivamente estrangeiros, na ligação a Espanha”, afirmou, considerando que esta nova realidade trará desafios adicionais às forças de segurança.
O comandante distrital apontou ainda a falta de efetivos e as condições de algumas instalações como as principais necessidades do comando, destacando que as obras na Esquadra de Trânsito de Évora deverão avançar durante o mês de agosto.




















