O PS de Elvas, no distrito de Portalegre, criticou o presidente da câmara, José Rondão Almeida, após o autarca afirmar que o movimento independente que lidera é designado localmente como “Partido Socialista número dois”.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Comissão Política Concelhia de Elvas do PS argumentou que “Partido Socialista só existe um”, alertando ainda que o partido “não está sujeito a pensamento único e todos são livres de contribuir com a sua opinião”.
O presidente da Câmara de Elvas, José Rondão Almeida, anunciou, na segunda-feira, no decorrer de uma conferência de imprensa, que vai recandidatar-se a um segundo mandato por um movimento independente nas eleições autárquicas de 2025.
“Vou-me recandidatar, mais uma vez, pelo Movimento Cívico e Independente por Elvas, que em Elvas é designado o ‘Partido Socialista número dois’”, disse, então, o histórico autarca.
José Rondão Almeida, de 81 anos, foi presidente do Município de Elvas eleito pelo PS, entre 1994 e 2013, mas, nas autárquicas de 2021, liderou a candidatura do Movimento Cívico por Elvas, vencendo as eleições ao socialista Nuno Mocinha, então presidente da câmara e que estava na ‘corrida’ para um terceiro mandato.
No comunicado, a Comissão Política Concelhia de Elvas do PS disse defender os “valores da verdade, retidão e seriedade” e sublinhou que a estrutura partidária está “devidamente estruturada”, com diferentes órgãos de decisão, e “nunca servirá de caixa-de-ressonância” de ninguém.
“Apelamos a que seja sério [José Rondão de Almeida] e não confunda, ou tente confundir, os elvenses dizendo que o movimento que lidera é conhecido por PS2”, lê-se no comunicado.
Segundo o PS de Elvas, “além de faltar à verdade”, o autarca está a “desrespeitar” quem pertence ao movimento e “livremente defende valores diferentes” dos do PS.
“Com todo o respeito, não passa de uma ilusão sua, premeditada, consciente e mal-intencionada. Lembramos ainda que quem saiu do PS para formar um movimento independente foi Rondão Almeida”, recordaram os socialistas.
Na conferência de imprensa realizada na câmara, que serviu para fazer o balanço dos três primeiros anos deste mandado, Rondão Almeida aludiu à retirada da confiança política do PS aos três vereadores eleitos por aquele partido e que, agora, exercem funções de vereadores com pelouros no executivo municipal.
A concelhia do PS de Elvas acusou José Rondão Almeida, por seu turno, de querer “mandar em tudo e em todos”, alegando que “todos” os munícipes sabem que o autarca “usa e abusa” do facto de três vereadores do atual executivo terem sido eleitos pelo PS.
“No entanto, omite o facto dos mesmos já não representarem o Partido Socialista, tendo-lhes sido retirada a confiança política. Infelizmente, não respeitaram a confiança dos seus eleitores que, certamente, farão o seu julgamento”, disse a concelhia.
O atual executivo municipal de Elvas é formado por três eleitos pelo Movimento Cívico por Elvas, outros tantos do PS – a quem a estrutura local do partido retirou a confiança política – e um da coligação PSD/CDS-PP.



















