Câmara de Évora vai envolver proprietário de Hotel para desbloquear processo da Travessa da Palmeira

Carmen Carvalheira afirma que os próximos passos serão desenvolvidos em conjunto com as entidades do património e o dono do imóvel, procurando avançar com a requalificação do espaço no Centro Histórico

A Câmara Municipal de Évora vai chamar o proprietário do Hotel a participar nos próximos passos do processo relativo ao muro da Travessa da Palmeira, no Centro Histórico da cidade.

Em declarações ao jornal ODigital.pt, a vereadora com o pelouro do Património, Carmen Carvalheira, explicou que o município retomou o processo e reuniu com as entidades com competências na área do património, preparando agora uma fase de trabalho conjunto que deverá incluir o proprietário do imóvel.

“Desta reunião saiu exatamente isto: trabalho em equipa e agora mais o proprietário do hotel”, afirmou a vereadora, indicando que só depois deste envolvimento será possível avançar para uma solução concreta.

Município retomou processo iniciado no mandato anterior

Segundo Carmen Carvalheira, o atual executivo começou por analisar todo o histórico do processo, que teve início durante o anterior mandato autárquico.

“Ontem fizemos uma reunião interna no sentido de fazermos um histórico de todo este processo”, explicou, acrescentando que o objetivo passou por perceber “como é que tinha ficado” o dossiê e definir os passos seguintes.

Por se tratar de uma intervenção localizada no Centro Histórico de Évora, classificado como Património Mundial, o município reuniu também com as entidades responsáveis pelas áreas da cultura e do património.

“Quando se trata de centro histórico classificado, naturalmente, é preciso juntar e reunir todas as entidades que têm de intervir e dar pareceres”, referiu Carmen Carvalheira.

Câmara pretende estabelecer parceria com proprietário

A vereadora sublinhou que o muro se encontra numa propriedade privada e que a Câmara Municipal não pode intervir diretamente sem o envolvimento do proprietário.

“A Câmara não pode intervir em propriedade privada”, afirmou, afastando a intenção de impor uma solução e defendendo antes a criação de uma parceria entre as partes.

“Não há intenção nenhuma de obrigar nada, muito pelo contrário, [pretendemos] fazer uma parceria quando todas as entidades têm exatamente os mesmos objetivos”, declarou.

De acordo com Carmen Carvalheira, esses objetivos passam por requalificar o Centro Histórico e alterar a situação atualmente existente na Travessa da Palmeira.

“Queremos mesmo que aquilo tenha um outro aspeto”, disse, acrescentando que qualquer intervenção terá de assegurar “a preservação do património e o respeito pela história”.

Processo poderá implicar sondagens

A autarca adiantou ainda que o trabalho a desenvolver poderá envolver sondagens e novos estudos técnicos antes de ser definida uma intervenção.

“Isto vai implicar sondagens e vai implicar um trabalho intenso à volta disso”, afirmou, reiterando que o proprietário será envolvido nesta fase.

Carmen Carvalheira manifestou a expectativa de que o novo entendimento entre o município, as entidades do património e o proprietário permita agilizar os procedimentos e retirar o processo da situação de impasse.

“A nossa esperança é que isto possa agora facilitar e agilizar todos os procedimentos para que as coisas não estejam paradas como estão neste momento”, declarou.

A vereadora considerou que a participação e a concordância de todas as partes poderão criar condições para avançar com a recuperação do espaço, afirmando existir agora “muito mais abertura para fazer as coisas acontecerem”.

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