Miguel Bastos Araújo, professor catedrático da Universidade de Évora e investigador coordenador no Museo Nacional de Ciencias Naturales de Madrid, foi eleito Fellow da Linnean Society of London.
A eleição ocorreu a 25 de junho de 2026 e reconhece o contributo do investigador para a ciência da biodiversidade, associando o seu percurso a uma das instituições históricas ligadas ao estudo da natureza.
Segundo a Universidade de Évora, a eleição como Fellow integra Miguel Bastos Araújo numa comunidade internacional de cientistas, naturalistas e académicos dedicada à compreensão, comunicação e proteção do mundo natural.
Investigação centrada na biodiversidade e alterações climáticas
O trabalho de Miguel Bastos Araújo tem-se centrado em áreas como a biogeografia, a macroecologia, a modelação da biodiversidade, os impactos das alterações climáticas e o planeamento da conservação.
A sua investigação tem contribuído para compreender a forma como espécies e ecossistemas respondem às alterações ambientais, em particular às alterações climáticas, e como esse conhecimento pode apoiar decisões de conservação.
“Sinto-me profundamente honrado por ter sido eleito Fellow da Linnean Society”, afirmou Miguel Bastos Araújo, citado no comunicado da Universidade de Évora.
O investigador sublinhou ainda que a sociedade científica “ocupa um lugar único na história da biologia”, ao ligar “as tradições fundadoras da história natural e da taxonomia” aos desafios atuais de compreensão e proteção da biodiversidade.
“Passar a fazer parte desta comunidade é, ao mesmo tempo, um reconhecimento e uma responsabilidade”, acrescentou.
Ligação entre ciência, conservação e políticas públicas
A Universidade de Évora destaca que o trabalho de Miguel Bastos Araújo abrange a ecologia teórica, a modelação global da biodiversidade e o planeamento aplicado da conservação, com enfoque na tradução da ciência em ferramentas e evidência para apoio às políticas públicas.
“A Linnean Society recorda-nos que o estudo da natureza não é apenas uma atividade científica, mas também uma empresa cultural e cívica”, afirmou o investigador.
Miguel Bastos Araújo defendeu ainda que, num contexto marcado pela perda de biodiversidade e pelas alterações climáticas, as instituições que promovem a história natural, a troca científica aberta e o envolvimento público com a natureza “são mais importantes do que nunca”.
Percurso com reconhecimento nacional e internacional
Miguel Bastos Araújo é membro da Academia Europaea e da Academia das Ciências de Lisboa. Em 2026, foi designado pelo Presidente da República Portuguesa como um dos cinco cidadãos nomeados para o Conselho de Estado durante o mandato presidencial.
De acordo com a Universidade de Évora, a eleição como Fellow da Linnean Society of London acrescenta-se a um percurso de reconhecimento nacional e internacional, com particular significado pelo papel histórico da instituição no estudo da história natural, da taxonomia, da evolução e da biodiversidade.
Linnean Society fundada em 1788
A Linnean Society of London foi fundada em 1788 e é apresentada pela Universidade de Évora como a mais antiga sociedade biológica ativa do mundo.
A instituição detém coleções de importância internacional, incluindo a biblioteca, os manuscritos e espécimes biológicos de Carl Linnaeus. Em 1858, foi numa das suas reuniões que foram lidos pela primeira vez os artigos conjuntos de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace sobre a teoria da evolução por seleção natural.
Atualmente, a Linnean Society mantém atividade nas áreas da ciência, património, educação, publicações e envolvimento público, promovendo o estudo e a compreensão do mundo natural.




















