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Professor da Universidade de Évora considera que há “má gestão” da água no sector agrícola

O professor do Departamento de Biologia da Universidade de Évora, Pedro Raposo de Almeida, considerou, este sábado que há “má gestão” da água no sector agrícola, afirmando que “criámos uma dependência extrema em relação à água”.

Pedro Raposo de Almeida falava durante o III Simpósio do Fluviário de Mora, que se realizou este sábado e que teve como tema “Alterações climáticas, Escassez Hídrica, e os seus impactos nos ecossistemas aquáticos”.

O professor da Universidade de Évora começou por referir que atualmente “somos bombardeados com esta informação que já entrou na ordem do dia, sobretudo a parte da daquilo que são as alterações climáticas, mas corremos o risco de se tornar tão comum que deixa de nos preocupar.”

Para o professor “tem de se lamentar que a questão da escassez hídrica só entra na ordem do dia quando não chove, ou seja, é uma questão também cíclica e depois passa-se do 8 para o 80”, acrescentando que “não há dúvida que vamos ter menos disponibilidade hídrica, mas também me parece que será má gestão vinda de sobretudo de alguns sectores, designadamente o agrícola, pois, criámos uma dependência extrema em relação à água.”

“Aproveitando agora que até temos algumas reservas, deve-se repensar a utilização da água e se reduzirmos efectivamente a sua utilização, designadamente com as técnicas agrícolas que utilizamos, provavelmente não ficamos numa situação de carência, nem ficamos numa situação desesperada como estávamos há uns meses”, desafia Pedro Raposo de Almeida.

Nas palavras proferidas, o professor referiu que “criar reservas de estratégicas de água implica necessariamente destruir a habitats naturais e assim estamos a hipotecar o nosso futuro.”

“As pessoas têm que perceber que têm que mudar a atitude, não estamos a dizer que não façam agricultura, estamos a dizer que faça uma agricultura que preserve aquilo que são as nossas reservas de água e obviamente as utilize com alguma parcimónia”, concluiu.

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