A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) contestou esta terça-feira, 4 de agosto, a nova descida do preço pago aos produtores e pediu que os valores sejam repostos já em setembro.
Segundo a associação, as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram, no final de julho, uma redução de 1,5 cêntimos por litro, com efeitos a partir de 1 de agosto em Portugal continental.
Na ilha de São Miguel, nos Açores, a PROLACTO e a INSULAC terão também avançado com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, respetivamente, justificadas com a evolução dos mercados nacional e internacional.
APROLEP aponta aumento dos custos de produção
A APROLEP sustenta que a redução do preço ocorre num momento em que os produtores enfrentam um aumento dos custos com combustíveis, rações, fertilizantes e rega.
A associação antecipa também uma quebra na produção de milho para silagem devido às ondas de calor, à falta de água e às limitações na capacidade de rega.
De acordo com a estrutura representativa, esta situação poderá resultar numa menor disponibilidade de alimento para os animais e num aumento dos custos suportados pelas explorações leiteiras.
A associação considera ainda que o preço pago aos produtores portugueses não acompanhou as subidas registadas noutros mercados europeus, nomeadamente em Espanha e no Norte da Europa.
Associação alerta para abandono da atividade
No comunicado, a APROLEP alerta que a redução dos preços poderá levar produtores mais velhos a abandonar a atividade e desencorajar jovens que ponderavam investir na produção de leite.
A associação relaciona também a continuidade da atividade agrícola com a manutenção dos terrenos cultivados e a redução do abandono dos territórios rurais, sobretudo durante o período de maior risco de incêndio.
Compradores desafiados a manter preços
A APROLEP desafia os restantes compradores a manterem o preço pago aos produtores e pede às entidades que avançaram com reduções que revertam a decisão no próximo mês.
A associação defende ainda que as indústrias e cooperativas devem investir no desenvolvimento de queijos, iogurtes e outros produtos lácteos nacionais, com o objetivo de reduzir as importações.
Segundo a APROLEP, os produtos lácteos importados representam um défice de cerca de 400 milhões de euros.
A estrutura apela igualmente às indústrias e cooperativas para que partilhem os resultados com os produtores através de melhores preços, permitindo responder aos custos de produção e assegurar os investimentos necessários à continuidade do setor.

















