Presidente do Politécnico de Portalegre critica falta de alojamentos e acessibilidades

O presidente do Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), Luís Loures, lamentou ontem a falta de alojamentos para alunos na cidade e criticou a carência de acessos pedonais e cicláveis ao campus daquela instituição, criado na zona periférica.

“Estas instalações onde estamos [Campus do IPP] foram construídas há 25 anos, continuamos a não ter um acesso pedonal ou ciclável digno, que ligue a cidade a uma infraestrutura que é essencial da vitalidade da própria cidade”, lamentou.

Luís Loures falava à agência Lusa à margem da cerimónia do 42.º aniversário do IPP, que decorreu ontem no campus politécnico, tendo o tema das acessibilidades sido um dos assuntos abordados no decorrer do seu discurso.

Afirmando ser “necessário” surgirem na cidade infraestruturas que sirvam a comunidade escolar, o responsável defendeu uma “renovação” na área das acessibilidades.

“Nós temos aqui 2.500 alunos, mais cerca de 100 professores, mais 80 funcionários e todas estas pessoas têm de fazer movimentos pendulares do campus para a cidade e da cidade para o campus, e isto quer dizer que é necessário haver infraestruturas, é necessário haver essa renovação”, sublinhou.

O presidente do IPP acrescentou ainda que esta é uma reivindicação que têm defendido junto da Câmara de Portalegre “há pelo menos sete anos”.

“A realidade é que nós vimos a exigir isto à autarquia há pelo menos sete anos. Criámos um bocadinho de ciclovia junto à zona industrial [situada num espaço contíguo ao Campus do IPP], mas não me parece normal que os estudantes para poderem vir para o campus, onde têm de fazer um quilómetro, tenham que fazer quatro só para poder vir na ciclovia”, observou.

A falta de alojamento para estudantes é outra das preocupações, apesar de estar em curso a construção de três residências com capacidade de albergar 168 novas camas, ficando o IPP com um total de cerca de 380 camas disponíveis, num universo de cerca de três mil alunos.

“Nós continuamos a perder alunos porque não temos alojamento, continuamos a ter condições deficitárias em alguns aspetos”, disse.

No decorrer da cerimónia comemorativa do aniversário do IPP foram assinados dois protocolos, um para a criação da Escola de Pós-Graduação e outro para a criação do Laboratório de Inovação Social do Alentejo.

De acordo com Luís Loures, a escola vai ficar sediada no Campus do IPP, conta com um investimento de “cerca de três milhões de euros”, devendo as obras iniciar em meados de 2023, com um prazo de conclusão de 14 meses.

Este projeto foi aprovado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num consórcio liderado pelo IPP, e que integra ainda os politécnicos de Beja, Santarém, Setúbal e a Universidade de Évora (UÉ).

Já o laboratório de Inovação Social do Alentejo vai surgir numa estrutura existente na cidade, estando neste momento a decorrer as “negociações”, contando o mesmo com uma verba de 100 mil euros.

Este laboratório resulta de uma parceria do IPP com o Instituto Padre António Vieira (IPAV), Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.

De acordo com os promotores, o objetivo do projeto passa por “criar e dinamizar” um laboratório que sirva o Alentejo, através de “dinâmicas de experimentação, de aprendizagem, de partilha de conhecimento, de prototipagem de novas soluções e de replicação de boas práticas de inovação social, para fazer face aos problemas complexos mais relevantes daquela região”.

O IPP é formado pelas escolas superiores de Educação, situada na zona histórica de Portalegre, Ciências Sociais, de Tecnologia e Gestão e ainda de Saúde, no Campus do IPP, e Agrária de Elvas.

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