Presidente do ICOM Portugal pede, à Ministra, “uma estratégia nacional para o Património Cultural”

Maria de Jesus Monge Presidente do ICOM Portugal
Foto: Arquivo

Conforme noticiámos, no início desta semana, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora terá estado encerrado no último fim-de-semana devido à falta de recursos humanos para assegurar o normal funcionamento do museu.

A situação foi denunciada pela Presidente do Conselho Internacional de Museus (ICOM) Portugal, Maria de Jesus Monge, que esta quarta-feira (12 de Agosto) enviou uma carta à Ministra da Cultura, Graça Fonseca, a expor toda a situação e demonstrando alguma preocupação com as assimetrias geográficas.

Na carta a que ODigital.pt teve acesso, Maria de Jesus Monge, afirma que “é urgente uma estratégia nacional para o Património Cultural, que substituta uma série de decisões casuísticas, as quais têm tido como consequência o agravar de assimetrias culturais, sociais, económicas e geográficas.”

A Presidente do ICOM Portugal mostrou alguma preocupação com o avanço do “processo de absorção das DRC pelas CCDR sem que tenha sido feita uma avaliação de anteriores situações de mudança de tutela”.

Mas Maria de Jesus Monge vai mais longe ao acusar a tutela de “total ausência de medidas para preparar a implementação da referida autonomia, que já deveria estar a funcionar quando da tomada de posse dos novos diretores agora a concurso.”

Já sobre o Museu Nacional de Évora, a Presidente do ICOM Portugal revela que “desde a reabertura pós-confinamento, já por várias vezes fechou portas por falta de pessoal e continuará a fazê-lo se não houver reforço imediato da equipa”, acrescentando que “este museu vive há décadas uma situação precária de suborçamentação e falta de pessoal”.

Na carta enviada à Ministra da Cultura, pode ainda ler-se que “no momento em que o Governo prepara um quadro global de investimentos, para fazer face a situação económica gerada pela pandemia e afirma desejar aproveitar a ocasião para reforçar a coesão territorial, corrigir assimetrias e potenciar o desenvolvimento do interior, lembramos que este e o único museu nacional a sul do Tejo”.

E caso não haja investimento a nível financeiro e de quadro de pessoa, “sem o qual o diretor que ganhar o concurso ver-se-á sem as condições mínimas necessárias para garantir a boa gestão das coleções, do pessoal e dos visitantes”, acrescentou ainda Maria de Jesus Monge na missiva enviada.

A carta termina com um apelo à Ministra da Cultura, uma “rápida intervenção, de modo a que um museu, dependente do Ministério da Cultura e de um organismo – a DGPC ­ que serve de exemplo a todos os museus do País, não tenha de continuar a fechar portas, quando as deveria manter abertas.”