O presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), Gonçalo Morais Tristão, defende a construção de novas barragens e a intervenção em infraestruturas existentes como forma de reforçar as reservas estratégicas de água no país, num contexto de alterações climáticas e maior irregularidade da precipitação.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente sustentou que o aumento da capacidade de armazenamento é “determinante para assegurar o abastecimento” às populações, à agricultura, à indústria e ao turismo, sublinhando que “as barragens têm fins múltiplos e não se destinam exclusivamente ao regadio”.
“Mais reservas de água para desenvolver a agricultura e servir populações”
Questionado sobre a necessidade de novas barragens numa altura em que se fala em reservas de água para dois ou três anos, Gonçalo Morais Tristão afirmou que o objetivo passa por “criar mais disponibilidades de água” e “aumentar as reservas para enfrentar futuros períodos de seca”.
Segundo o presidente do COTR, a precipitação registada nos últimos meses poderia ter contribuído para “encher mais albufeiras, caso existissem mais estruturas de armazenamento”. Ainda assim, afastou a ideia de uma “construção indiscriminada”, defendendo que há “localizações já estudadas e identificadas onde novas barragens poderiam avançar”, respeitando as regras ambientais.
Gonçalo Morais Tristão enquadrou esta necessidade no cenário das alterações climáticas, sublinhando que “os anos de seca continuarão a ocorrer e exigem maior capacidade de retenção de água para servir populações e agricultura”.
Regadio produz “cinco a seis vezes mais” do que sequeiro
No plano agrícola, Gonçalo Morais Tristão destacou o papel das barragens no desenvolvimento do regadio. A existência de reservatórios permite “expandir áreas irrigadas nas zonas envolventes”, potenciando a produção agrícola.
De acordo com os dados referidos, a agricultura de regadio produz “cinco a seis vezes mais do que a agricultura de sequeiro”, apontando o exemplo do Alqueva como demonstrativo do “impacto do regadio no desenvolvimento agrícola do sul do país”.
O presidente do COTR realçou ainda o caso da barragem do Lucefécit, no concelho de Alandroal, como exemplo de uma “infraestrutura de menor dimensão” que contribui para a “dinâmica económica local através do apoio ao regadio”.
Estratégia “Água que Une” prevê novas barragens e reabilitação de infraestruturas
No que diz respeito à política pública, recordou que a estratégia nacional para a água prevê a construção de novas barragens, algumas de grande dimensão, como o Pisão, e outras já identificadas em diferentes regiões do país.
Sobre a estratégia “Água que Une”, apresentada publicamente em março de 2025, considerou tratar-se de um documento “estruturante” que reúne medidas relacionadas com a gestão integrada da água, abrangendo agricultura, setor urbano e indústria. O desafio, defendeu, passa agora pela “concretização das medidas anunciadas”.
Intervir nas barragens existentes e modernizar perímetros de rega
Além da construção de novas estruturas, Gonçalo Morais Tristão defendeu intervenções “em barragens já existentes”. No caso do Lucefécit, refere a existência de um projeto para alteamento da barragem, que permitiria armazenar “mais 1,5 a 2 milhões de metros cúbicos de água”, reforçando a “segurança do perímetro de rega e apoiando o cumprimento dos caudais ecológicos”.
O presidente chamou também a atenção para a necessidade de “reabilitar e modernizar perímetros de rega públicos” com várias décadas de existência, intervindo em “canais e condutas para aumentar a eficiência na distribuição de água”.
Agricultura aposta na eficiência hídrica
Face ao debate público em torno do consumo de água no setor agrícola, sustentou que a agricultura “tem vindo a melhorar a eficiência no uso da água”, para além de “produzir alimentos com maior qualidade, utilizando menos água e alcançando maiores produtividades”.

