A cerimónia nacional do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada voltou este domingo a reunir famílias, entidades e associações em Évora. A jornada, promovida pela Estrada Viva e pela GARE – Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária, ficou marcada por um alerta insistente: o Plano de Ação para a Segurança Rodoviária 2021-2030 continua por aprovar.
A presidente da GARE, Filomena Araújo, afirmou que esta é uma falha que condiciona a implementação de medidas essenciais. A responsável recordou que «o plano terminou em 2020 e o novo ainda não foi aprovado», sublinhando que passaram «quase cinco anos sem enquadramento estratégico».
Vinte anos de homenagem e um apelo que permanece
A cerimónia assinalou duas décadas de iniciativas realizadas em Évora. Filomena Araújo lembrou que este dia tem sido importante para quem perdeu familiares ou ficou com limitações graves após acidentes. Indicou que, entre 2004 e 2024, «morreram nas estradas portuguesas 18.000 pessoas» e que 15% das vítimas «são jovens com menos de 29 anos».
A presidente da GARE reforçou a dimensão humana do problema, referindo que estes números representam «talentos, profissões e afetos que se perderam e que não têm retorno».
Educação e apoio às vítimas continuam insuficientes
Filomena Araújo destacou ainda a ausência de investimento consistente em educação rodoviária. Afirmou que «a educação para a cidadania rodoviária não pode ficar ao livre arbítrio do professor» e defendeu preparação específica das escolas para esta área.
A responsável alertou igualmente para a falta de apoio às vítimas e famílias. Recordou que não existe «estatuto de vítima para a sinistralidade rodoviária» e que a norma de apoio psicossocial «não está implementada», precisamente porque o país continua sem plano aprovado.
Alentejo com índices de gravidade superiores
A situação na região também mereceu referência. Filomena Araújo explicou que, no Alentejo, «o índice de gravidade é maior que a média nacional», devido à distância dos serviços de urgência e às vias longas e retas, que favorecem velocidades elevadas.
A responsável acrescentou que, por cada 100 acidentes, «há mais mortes» no Alentejo, chamando a atenção para a necessidade de reforçar a resposta pré-hospitalar.
«Morrem 600 pessoas por ano e ninguém se preocupa»
A presidente da GARE realçou que a sinistralidade rodoviária continua a causar cerca de 600 mortes anuais no país. Referiu que este número é comparável ao impacto da queda de «três aviões» ao longo de um ano, observando que, perante tal cenário, «seria uma catástrofe nacional».
Exigência dirigida ao poder político
Questionada sobre quem deve ser sensibilizado, Filomena Araújo respondeu que o foco deve centrar-se «no poder político e nos dirigentes institucionais». Defendeu uma fiscalização mais robusta, maior investimento na educação rodoviária e uma política pública consistente e contínua.
A responsável deixou ainda uma mensagem para além do dia de homenagem: «É preciso agir para reduzir a mortalidade e os riscos. Não basta recordar uma vez por ano».









































