A presidente da Câmara de Mora, Paula Chuço, acusou a oposição de tentar bloquear o trabalho do município por lhe retirar competências para decisões sobre projetos de obras, adjudicação de empreitadas e aquisição de bens ou serviços.
“Isto vai dificultar a gestão da câmara e tem tudo a ver com a tentativa de bloquearem o trabalho que a autarquia está a fazer”, afirmou a autarca de Mora, no distrito de Évora, eleita pelo PS, em declarações à agência Lusa.
Paula Chuço indicou que a CDU propôs, em reunião de câmara, retirar-lhe aquelas competências, uma medida aprovada por maioria com os votos a favor dos comunistas e do vereador Hugo Carreiras, eleito pelo PS.
Contactado pela Lusa, o vereador eleito pela CDU Marco Calhau justificou a proposta de revogação de competências com o que considerou ser a falta de transparência e de partilha de informação por parte da gestão PS.
“Existe alguma falta de transparência e de partilha de informação, e considerámos que esta seria a melhor forma de termos todos acesso à mesma informação e a decisão, em vez de ser da presidente da câmara, ser partilhada entre todos”, referiu.
Também o vereador Hugo Carreiras, a quem a presidente da câmara retirou, em julho deste ano, a vice-presidência e os pelouros, alegando quebra de confiança, disse ter votado a favor por entender que o município tem sido gerido “através de despachos”.
“Nessa altura [quando era vice-presidente], já fazia muitos alertas sobre a gestão da câmara, com algumas tomadas de decisão sem justificação e diálogo”, salientou, sublinhando que “todas as decisões são por despacho”, quando deveria ser uma exceção.
Já a presidente do município alegou que os despachos que fez foram com o aval dos serviços municipais e “para facilitar a vida dos munícipes”, nomeadamente nos projetos de obras, garantindo que tem informado o executivo, muitas vezes até antes de emitir os documentos.
A partir de agora, alertou Paula Chuço, “vai tudo a reunião de câmara para ser votado” e, no caso de um procedimento ser chumbado, terá de haver depois “uma conversa com os vereadores” e o processo “vai demorar 15 ou 30 dias, no mínimo, a resolver”.
Marco Calhau recusou que os eleitos da CDU queiram dificultar a gestão do município, pois “estarão naturalmente de acordo” se as propostas do PS foram para melhorar o município, e rejeitou eventuais demoras nas decisões.
“É uma questão de organização. Se prepararmos as decisões para cada uma das reuniões, que são quinzenais, tudo irá funcionar à mesma e existe sempre a possibilidade, para situações de maior urgência, de se agendar uma reunião extraordinária”, vincou.
Hugo Carreiras argumentou igualmente que “terá que haver planeamento” por parte da liderança para evitar que as decisões se arrastem, insistindo em que “um despacho demonstra falta de planeamento”.
Paula Chuço cumpre o primeiro mandato, depois de ter conquistado a autarquia à CDU (PCP/PEV) nas autárquicas de 2021.
Os socialistas ganharam as eleições com maioria absoluta na câmara, mas na assembleia municipal são os comunistas que estão em maioria.
Em julho passado, a presidente do município revogou a nomeação de Hugo Carreiras como vereador a tempo inteiro e vice-presidente da autarquia, alegando quebra de confiança pessoal e política.
O atual executivo autárquico é constituído por três eleitos do PS, um deles sem pelouros, e dois da CDU.



















