Durante a 17.ª edição da Feira do Porco Alentejano, que decorre em Ourique até amanhã, dia 23 de março, Nuno Faustino, presidente da Associação Portuguesa de Porco Alentejano, destacou a importância da raça enquanto «património genético do país», apelando ao apoio urgente do Estado para assegurar a sua preservação e valorização.
Nuno Faustino salientou que o evento é um «marco de referência» na promoção da raça, sublinhando a sua importância como «expoente máximo» desta afirmação. «Pretendemos divulgar a raça, os produtos, dar a conhecer os magníficos transformados e frescos originários do porco alentejano, e debater problemas com agricultores e indústrias para procurar soluções conjuntas», referiu.
Entre os desafios recentes, Faustino apontou dificuldades geradas pela pandemia, secas prolongadas e o impacto económico da guerra na Ucrânia. Estes problemas resultaram numa redução significativa do efetivo nacional, atualmente inferior a 51 mil reprodutoras, uma realidade que o dirigente classifica como preocupante: «Este número espelha o acumulado de problemas que têm pressionado o setor, forçando os criadores a reduzirem efetivos e, em muitos casos, a abandonar a atividade.»
Nuno Faustino defendeu que, em períodos de crise, os apoios estatais são fundamentais. «Esta raça não é só dos criadores, é um património genético do país. O Governo tem de apoiar para que esta raça não desapareça», afirmou, realçando o potencial económico do porco alentejano na indústria transformadora, especialmente em produtos tradicionais como presuntos e enchidos. Para o presidente da associação, Portugal tem condições para aumentar significativamente a sua capacidade produtiva, aproximando-se do nível espanhol.
As alterações climáticas foram também abordadas como um desafio crítico, com Faustino a alertar para a necessidade de políticas agrícolas adaptadas à realidade específica do Baixo Alentejo. «As políticas agrícolas precisam estar alinhadas com as nossas necessidades reais. A agropecuária extensiva enfrenta dificuldades únicas, e é essencial que os apoios sejam direcionados», defendeu.
Apesar dos problemas estruturais, Nuno Faustino reconheceu o atual momento positivo do setor, evidenciado pela valorização significativa das carnes e derivados no mercado. Contudo, sublinhou que «não podemos baixar a guarda», insistindo na necessidade contínua de apoios para consolidar e expandir o setor.
A gestão hídrica foi outro tema central, com Faustino a elogiar iniciativas governamentais como o projeto “Água que Une” e a ligação entre as barragens do Monte da Rocha e Santa Clara. Estes projetos são vistos como essenciais para melhorar a resiliência hídrica do Baixo Alentejo, embora Faustino tenha sugerido que se estude também a criação de novos perímetros de rega para apoiar especificamente as explorações de sequeiro.
«Este é um momento crucial para assegurar o futuro do porco alentejano e da agropecuária extensiva na região», concluiu Nuno Faustino, apelando a uma resposta ativa e eficaz por parte das autoridades.




















