O presidente da APORMOR, Joaquim Capoulas, criticou as políticas agrícolas europeias aplicadas desde 2003, considerando que desvalorizaram a pecuária extensiva e contribuíram para o abandono rural.
«A última Política Agrícola Comum, muito influenciada pelo ambientalismo de gabinete, fez da produção pecuária um dos alvos principais, baixando muitos apoios e desincentivando a atividade», afirmou.
Segundo o dirigente, a conjugação de falta de apoios e baixa rentabilidade levou a uma redução significativa dos efetivos pecuários, com consequências no território. «Infelizmente, pode dizer-se que este objetivo quase conseguiu êxito pleno», observou.
Nos últimos anos, a procura externa e a subida dos preços à produção trouxeram alguma esperança ao setor. «O choque com a realidade veio traduzir-se numa mudança significativa na forma de olhar para a agricultura, reconhecendo-a como condição essencial de soberania», sublinhou.
Capoulas apelou ainda à criação de um Ministério único da Agricultura, Ambiente e Florestas, com peso político no Governo. «A agricultura e a gestão do território rural nunca foram prioridades para os últimos governos. A segurança alimentar é uma das condições essenciais de soberania», destacou.
O dirigente alertou que, sem medidas estruturais, a desertificação continuará a avançar. «Caso contrário, o montado desaparece, a selva e as espécies invasoras voltam a dominar e a fauna selvagem invade zonas urbanas», avisou.
Para Capoulas, é fundamental criar consenso em torno da valorização da ruralidade e garantir condições para atrair novas gerações para a vida no campo. «Temos de agir juntos, para que as futuras gerações não se venham a queixar, com razão, de nós», concluiu.



















