A Adega Cooperativa de Borba assinalou esta terça-feira, 7 de maio, o seu 70.º aniversário com uma conferência que reuniu representantes de cooperativas, especialistas e entidades públicas para debater o futuro do setor vitivinícola e os desafios da organização cooperativa.
No centro das intervenções esteve o alerta para o preconceito que continua a marcar a forma como as cooperativas são percecionadas, tanto no mercado como na administração pública.
Nas declarações aos jornalistas, o presidente da Adega Cooperativa de Borba, João Mota Barroso, foi claro: «O preconceito existe. Não é uma ficção. É uma realidade que todos nós, de alguma forma, já vivemos.» E concretizou: «Quando um restaurante não está interessado em vinhos de cooperativas, está a agir com base num preconceito. Quando a administração pública, sobretudo nos seus níveis intermédios, trata as cooperativas de forma distinta, esse preconceito torna-se ainda mais evidente.»
O dirigente afirmou que esse tipo de discriminação afeta a imagem do setor e condiciona a valorização do trabalho desenvolvido pelas adegas cooperativas. «Nas empresas privadas, o sucesso ou insucesso da gestão raramente influencia a perceção do consumidor. No caso das cooperativas, o juízo é imediato e muitas vezes injusto, com impacto direto na aceitação dos produtos», sublinhou.
Apesar dessas dificuldades, João Mota Barroso considerou que a cooperativa tem conseguido vencer obstáculos importantes nos últimos anos, com destaque para a profissionalização da gestão e a valorização do trabalho dos viticultores. «Foi feito um caminho relevante ao nível da estrutura da organização, mas o maior desafio é fazer com que o consumidor reconheça o valor real dos nossos produtos», referiu.
O presidente da Adega de Borba reconheceu ainda que, ao longo das últimas décadas, o crescimento da cooperativa tem sido mais qualitativo do que quantitativo. «Hoje não se trata de produzir mais, mas de produzir melhor e com mais valor. O futuro do setor passa pela diferenciação e pela resposta às novas tendências do mercado.»
A sustentabilidade foi outro dos temas abordados na conferência. João Mota Barroso alertou para o risco de descrédito associado à proliferação de discursos sem prática efetiva. «O consumidor está potencialmente interessado nos valores da sustentabilidade, mas precisa de os reconhecer como verdadeiros. O excesso de greenwashing pode criar desconfiança e prejudicar quem realmente aplica boas práticas», afirmou.
A este respeito, apontou como exemplo positivo o programa de sustentabilidade da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, que considerou credível e bem implementado. «É um programa técnico, que está presente desde a vinha até à garrafa. Não é apenas marketing. É essa consistência que o consumidor valoriza», disse.
Fundada em 1955, a Adega Cooperativa de Borba foi uma das entidades fundadoras da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana e desempenha um papel central na história da vitivinicultura cooperativa no Alentejo.












































