Esta segunda-feira, na Conferência do Dia Mundial do Turismo, o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo, José Santos, mostrou-se preocupado com a atuação do Governo face à relação entre a implantação de centrais solares e o desenvolvimento do setor.
No seu discurso o presidente vincou que se sente preocupado com a “qualificação do território e a integridade da paisagem”, uma vez que “a paisagem turística, a nossa paisagem rural, continua a ser o grande atributo da promoção externa do Alentejo nos mercados internacionais”.
Desta forma, e com membros do Governo presentes, pediu uma “grande ponderação” e um “grande equilíbrio” quando chega ao momento de decisão “sobre projetos de mega centrais fotovoltaicas, para não comprometer decisões de investidores e de promotores turísticos”, mas também “para projetos relacionados com culturas intensivas não autóctones que podem comprometer a viabilidade e a competitividade do ambiente e do turismo”.
“O Estado não pode, às segundas, quartas e sextas, incentivar e apoiar, às vezes financeiramente, determinados projetos e localizações de projetos turísticos e as terças e quintas, licenciar e colocar-se ao lado outros projetos que pouco ou nada acrescentam à base económica local”, atirou José Santos.
O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, também no seu discurso, respondeu que “nem o ambiente deve ser um entrave ao desenvolvimento de outras atividades, nem estas atividades devem ser inimigas do ambiente, ou olharem para as preocupações de sustentabilidade como bloqueios”.
“Queremos um país onde estas dimensões e realidades convivem e onde produzam bons resultados”, complementou o governante, realçando que “também é importante para Portugal que possamos cuidar do património natural que é nosso”.
Desta forma, Luís Montenegro frisou que o país deve continuar “com equilíbrio, bom senso e boa ponderação dos valores”, no sentido de “promover maior capacidade também no setor energético”.
Isto para que “possamos ser mais autónomos”, mas também para que “possamos ter um custo associado a todas as atividades económicas que seja mais compatível com padrões de concorrência e competitividade”.
O Primeiro-Ministro sublinhou ainda que não está a “tomar posição sobre nenhum projeto”, contudo quer “que as pessoas entendam que temos uma visão transversal e integrada do processo de desenvolvimento do país”.
“Dentro dessa visão, todos os valores podem e devem ser colocados em cima da mesa para se compatibilizar e conciliarem”, atirou ainda o governante.
O evento teve lugar esta segunda-feira, dia 29 de setembro, em Troia. Veja aqui a fotogaleria.



















