O presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Francisco Mateus, alertou, na inauguração da Festa da Vinha e do Vinho, em Borba, que não olhar para a «sustentabilidade» do vinho do Alentejo é «um tiro nos pés».
«Sou presidente da Comissão Vitivinícola há nove anos e digo que nestes nove anos acho que o Alentejo foi olimpicamente ignorado pelo Terreiro do Paço», destacou, acrescentando que o «trabalho feito em prol da sustentabilidade nesta região é ímpar».
Referiu ainda que há «uma entidade que promove o vinho português que ‘foge a sete pés’ de referir o Programa de Sustentabilidade do Alentejo».
Tendo isto em mente, Francisco Mateus questionou que «como é que não se aproveita o trabalho que o Alentejo está a fazer para promover o país?».
Com esta pergunta em mente, o presidente da CVRA destacou que a região «tem cerca de 15% da área de vinha do país», é a «região que vinho certifica, tirando a componente do Vinho do Porto», é uma «importante região exportadora» e que «é a região que mais vende no mercado nacional»: «Isto quer dizer alguma coisa».
«Sermos ignorados pelo trabalho que aqui se faz, acho que é um erro olímpico, não ajuda o país e, certamente, não leva aquilo que de melhor temos feito», atirou ainda.
No seu discurso, deixou também dados recentes da produção e venda do setor vitivinícola alentejano.
Esclareceu que, «depois de um período de quebra nas vendas», a região «conseguiu fazer uma inversão e está agora em trajeto de crescimento» em 3% das vendas.
Há também uma «quebra na exportação», mas, «olhando para um conjunto de anos mais longo», o Alentejo está a exportar «acima de 2019, «que tinha sido um ano normal, antes da pandemia».
Em relação à produção, o presidente da CVRA sublinhou que se estima que a região produza «cerca de 150 milhões de quilos de uva» e que poderá haver cerca de «112 milhões de litros de vinho».
Mesmo sendo uma «diminuição face ao ano anterior», Francisco Mateus clarificou que «há alturas que produzir menos ajuda a valorizar o produto». Contudo, «para quem planta, estes números nunca são bons».
Frisou também que há cerca de dois mil viticultores na região, «cada um deles com a sua dimensão, especificidade», mas todos eles com a mesma identidade: «São alentejanos».
Uma bebida que se perfila como «matriz identitária» do Alentejo, mas que também é «turismo, cultura e também sustentabilidade».
«O Alentejo é, acima de tudo, composto pelas pessoas que plantam vinhas, pelas pessoas que fazem o vinho. Acredito que aquilo que nos une é aquilo que é tirado da terra e que é identitário», sublinhou Francisco Mateus.