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Prémio Vergílio Ferreira: Djaimilia Pereira de Almeida e o poder da literatura para despertar o olhar sobre o outro

Djaimilia Pereira de Almeida, vencedora do Prémio Vergílio Ferreira 2025, outorgdo pela Universidade de Évora, expressou a sua honra ao receber o galardão, sublinhando o peso simbólico da distinção. «Sinto-me profundamente honrada e além de muito alegre, sobretudo tendo em conta os escritores que já receberam este prémio. Um prémio é tão mais importante quanto os escritores que o receberam e o Prémio Vergílio Ferreira, recebê-lo para mim é uma grande honra», afirmou.

A escritora já conhecia o prémio e acompanhou, ao longo dos anos, a consagração de alguns dos autores que marcaram a sua trajetória. «São escritores da minha vida e, portanto, na altura em que os venceram, alguns deles, pelo menos, acompanhei a entrega do prémio», revelou.

O reconhecimento veio acompanhado de um sentimento de compromisso para com o seu percurso literário. «Ser a mais nova escritora a receber este prémio dá-me um sentido de responsabilidade. Acho que tenho todo o tempo pela frente. Os meus livros estão todos por fazer e, por isso, é um reconhecimento que me incentiva a continuar», destacou.

A obra de Djaimilia Pereira de Almeida tem sido marcada por um olhar atento sobre as margens da sociedade, explorando temas como identidade, memória e pertença. A escritora não pretende dar voz a quem não a tem, mas sim estimular os leitores a uma perceção mais profunda da realidade que os rodeia. «Eu acho que só posso falar por mim, mas posso, através dos meus livros, ajudar as pessoas ou ajudar-me a mim, antes de mais nada, e através disso, a impelir os leitores a reparar nas pessoas à nossa volta. E talvez seja essa uma das minhas ambições», afirmou.

A sua literatura não se propõe apenas a contar histórias, mas a despertar um olhar mais atento sobre os que habitualmente passam despercebidos. Com narrativas que dialogam com a tradição literária e exploram novas formas de expressão, a autora desafia os leitores a uma reflexão sobre a sociedade e sobre a forma como cada indivíduo se insere nela.

A atribuição do Prémio Vergílio Ferreira 2025 a Djaimilia Pereira de Almeida não é apenas um reconhecimento do seu percurso literário, mas também da forma como a sua escrita contribui para um entendimento mais amplo da experiência humana. «A literatura tem esse poder de nos colocar no lugar do outro, de nos fazer reparar em quem talvez nunca tenhamos reparado antes», sublinha a autora. «Se, através das minhas histórias, conseguir provocar essa atenção ao outro, então sinto que o meu trabalho tem sentido.»

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