A Praia da Zambujeira, no concelho de Odemira, recuperou 30% da largura e 34% do volume sedimentar perdidos durante as tempestades do inverno marítimo de 2025/2026, segundo um relatório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A praia foi o único local integrado na área da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo entre os 27 perfis costeiros analisados no estudo. Os resultados mostram que a recuperação está em curso, mas permanece abaixo das condições anteriores aos eventos de agitação marítima.
Praia da Zambujeira mantém défice face à média histórica
A avaliação efetuada pela APA indica que a largura atual da Praia da Zambujeira corresponde a 82% da média histórica registada no local. O volume de sedimentos representa 81% desse valor de referência.
Os indicadores colocam a praia abaixo do patamar de 100% utilizado pelo relatório para considerar que um areal recuperou ou superou a sua condição média histórica.
Na comparação direta com as perdas provocadas pelas tempestades, a recuperação foi igualmente parcial: 30% na largura do areal e 34% no volume sedimentar.
Os gráficos incluídos no relatório mostram uma redução acentuada entre os levantamentos realizados antes e imediatamente após os temporais, seguida de uma recuperação nos meses posteriores. A largura passou de cerca de 164 metros, antes das tempestades, para aproximadamente 90 metros, aumentando depois para cerca de 113 metros.
No volume sedimentar, o levantamento posterior às tempestades aponta para uma subida de cerca de 152 para 181 metros cúbicos por metro linear, ainda abaixo dos aproximadamente 236 metros cúbicos por metro registados antes dos eventos.
Tempestades sucessivas limitaram recuperação das praias
O inverno marítimo de 2025/2026 ficou marcado por vários episódios consecutivos de agitação marítima, com maior incidência entre o final de janeiro e o início de fevereiro.
A sucessão das tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta reduziu os intervalos disponíveis para a reposição natural dos sedimentos entre eventos, contribuindo para a erosão acumulada em diferentes pontos da costa portuguesa.
A APA analisou 27 praias, das quais 19 na costa ocidental e oito na costa sul do Algarve. Os levantamentos topográficos foram realizados no âmbito do Programa de Monitorização da Faixa Costeira de Portugal Continental, denominado COSMO, e através de campanhas complementares das equipas técnicas da agência.
Maioria das praias permanece abaixo dos valores médios
A nível nacional, cerca de 41% das praias analisadas recuperaram ou ultrapassaram os valores médios históricos de largura e volume sedimentar. As restantes 59% permanecem abaixo dessas referências.
Nas praias em que foi possível comparar os dados anteriores, imediatamente posteriores e mais recentes, entre 35% e 41% recuperaram totalmente ou ultrapassaram as perdas em largura e volume. Cerca de 45% apresentavam uma recuperação parcial.
A APA conclui que uma parte dos areais mantém capacidade de recuperação natural, embora o processo decorra de forma gradual e com diferenças entre locais.
A evolução depende das características morfológicas de cada praia, da disponibilidade de sedimentos e das condições marítimas registadas após os temporais. Uma parte dos locais monitorizados ainda não recuperou as condições anteriores ao inverno, pelo que a agência considera necessária a continuidade da monitorização.

















