Praça de touros mais antiga do país em Évora vai “renascer” como centro cultural

Praça de touros da azaruja

A praça de touros apontada como a mais antiga do país, que está em ruínas, situada numa freguesia rural do concelho de Évora, vai ser recuperada e transformada em centro cultural, num investimento de 350 mil euros.

Quando toda a parte burocrática estiver finalizada, podemos começar as obras no dia seguinte, porque já temos 100 mil euros para a primeira fase”, afirmou hoje à agência Lusa José Chaves, presidente da associação cultural que vai desenvolver o projeto.

Construída há mais de 150 anos, a praça de touros da aldeia de Azaruja, na freguesia de São Bento do Mato, concelho de Évora, não é usada para eventos tauromáquicos há várias décadas e encontra-se atualmente em ruínas.

Depois de ter estado à venda há cerca de três anos, o imóvel tem novos proprietários, com os quais a associação Zaratan – Arte Contemporânea, com sede em Lisboa, assinou um contrato de comodato para o uso do edifício.

“Enquanto funcionar como espaço cultural, dentro das diretrizes que foram acordadas”, o uso do imóvel por parte desta associação cultural “é por tempo indeterminado”, sublinhou o presidente da Zaratan, José Chaves.

O responsável adiantou que a associação pretende criar no edifício um centro cultural, com “exposições, concertos, performances e ciclos de cinema”, além de “biblioteca, videoteca e locais de trabalho para artistas”.

Temos uma equipa de arquitetos a trabalhar connosco que já fez um levantamento de todo o interior e exterior e das partes estruturais”, disse, indicando que a Zaratan aguarda “luz verde” das “Finanças e da Câmara de Évora” para iniciar as obras.

José Chaves referiu que a associação tem “100 mil euros para o início dos trabalhos”, nomeadamente para a primeira fase do projeto que consiste em “colocar tudo estruturalmente sólido”.

As próximas fases do projeto, assinalou, estão dependentes de “como correr” o ‘crowdfunding’, ou seja, a campanha de angariação de fundos em curso na Internet, além de “apoios de mecenas, instituições e empresas” e de receitas próprias.

A campanha, que tem como objetivo angariar 250 mil euros para o desenvolvimento da segunda e terceira fases, tinha alcançado esta manhã 6.415 euros.

O perfeito seria dois anos” para realização das obras, mas “pode demorar mais tempo, se não conseguirmos ter apoios agora”, admitiu o responsável, sublinhando que o ‘crowdfunding’ vai decorrer “por tempo indeterminado”.

De acordo com o presidente da Zaratan, a segunda fase comporta a construção de 30 ateliês e oficinas na parte de baixo das bancadas e a terceira a instalação de painéis solares e baterias.

A praça de touros tem uma área total de “2.200 metros quadrados” e capacidade para quase 2.000 pessoas, das quais “1.500 nas bancadas e entre 300 a 500 na zona da arena”, precisou.

Construída em 1860, a antiga Praça de Touros de Azaruja chegou a ser uma fábrica de cortiça e a servir de “palco” para as festas da aldeia, entre outras funções.

Esta data de construção “é o registo mais antigo” que existe, mas “vários historiadores” dizem que o imóvel “é anterior” e que “foi a primeira praça edificada” em Portugal, realçou.

Criada em 2014, a Zaratan – Arte Contemporânea, legalmente constituída por artistas como uma associação cultural sem fins lucrativos, é uma estrutura de criação, produção e divulgação da arte contemporânea em Portugal.