Portugal continental vai poder observar um eclipse solar no dia 12 de agosto de 2026, fenómeno astronómico que ocorre quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, ocultando parcialmente ou totalmente o disco solar.
O evento será visível em todo o território continental, embora com diferentes níveis de ocultação. Em várias regiões do país o eclipse será parcial, mas com elevada cobertura do Sol, enquanto numa faixa próxima da fronteira norte poderá ocorrer a fase de totalidade.
O fenómeno deverá iniciar-se ao final da tarde, por volta das 19h30, prolongando-se durante vários minutos à medida que a Lua avança sobre o disco solar. Nas zonas onde a ocultação for total, o céu poderá escurecer durante alguns segundos, criando uma breve sensação de noite em pleno dia.
Cobertura do Sol varia consoante a região
A percentagem de ocultação do Sol não será igual em todo o país. No sul, incluindo o Algarve, a cobertura deverá situar-se pouco acima dos 90%.
Em Lisboa, o eclipse deverá atingir cerca de 95% do disco solar, enquanto no norte do país poderá ultrapassar os 97%. No distrito de Bragança a cobertura aproximar-se-á da totalidade, podendo ultrapassar os 99%.
Mesmo nas zonas onde o eclipse será parcial, o fenómeno poderá provocar uma diminuição visível da luminosidade, bem como uma descida temporária da temperatura.
Durante o processo de ocultação, também podem surgir efeitos visuais nas sombras projetadas pelas árvores, formando pequenas imagens do Sol em forma de crescente no solo.
Um alinhamento raro entre a Terra, a Lua e o Sol
O eclipse solar ocorre quando o alinhamento entre os três corpos celestes é suficientemente preciso para que a Lua bloqueie a luz solar vista a partir da Terra.
Apesar de o Sol ser muito maior do que a Lua, a grande distância a que se encontra faz com que ambos apresentem dimensões aparentes semelhantes no céu, permitindo que a Lua cubra temporariamente o disco solar.
Este equilíbrio resulta de uma coincidência astronómica relacionada com as distâncias relativas entre a Terra, a Lua e o Sol.
Observação exige precauções
A observação do eclipse solar exige cuidados para evitar danos na visão. Olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões permanentes nos olhos.
Especialistas recomendam a utilização de óculos próprios para observação solar, certificados para reduzir a intensidade da luz. Mesmo com esse equipamento, a observação deve ser feita durante períodos curtos.
Também não é aconselhável utilizar binóculos ou telescópios sem filtros apropriados ou sem acompanhamento especializado.
Fenómeno com impacto histórico na ciência
Os eclipses solares têm desempenhado um papel relevante na investigação científica ao longo da história.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 1919, quando observações realizadas durante um eclipse permitiram confirmar previsões da Teoria da Relatividade Geral. Nesse caso, a posição aparente de estrelas próximas do Sol revelou um desvio provocado pela curvatura da luz.
Portugal esteve ligado a essa observação através do apoio científico prestado por instituições astronómicas nacionais a uma expedição internacional realizada na ilha de São Tomé.
O eclipse de agosto de 2026 voltará a oferecer condições para observar um fenómeno astronómico pouco frequente, que poderá ser acompanhado por grande parte da população em Portugal continental.

















