Portugal com mais crianças institucionalizadas entre 42 países da Europa e Ásia Central

Portugal é o país, entre 42 da Europa e da Ásia Central, onde há mais crianças institucionalizadas, com 95% das crianças acolhidas ao abrigo do sistema de proteção a residir em acolhimento residencial, revela um relatório da Unicef.

Segundo o relatório “Caminhos para uma melhor proteção: Balanço da situação das crianças em estruturas de acolhimento na Europa e na Ásia Central”, divulgado hoje, quase meio milhão de crianças (456 mil) nestes territórios vivem em instituições.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), “a taxa […] é o dobro da média mundial, atingindo 232 por 100 mil crianças, em comparação com a média global de 105 por 100 mil crianças”.

“Em Portugal, o relatório mostra que 95% das crianças acolhidas no âmbito do Sistema de Promoção e Proteção encontram-se em acolhimento residencial, o que representa o valor mais elevado entre os 42 países analisados”, denuncia a Unicef.

A realidade portuguesa, aparentemente, segue a tendência vigente na Europa Central, onde se regista “a maior taxa de crianças em unidades de acolhimento residencial, com 294 por 100.000 crianças – quase o triplo da média mundial”.

“Apesar de as instituições na Europa Ocidental serem, em grande parte, pequenas e integradas nas comunidades, persiste uma dependência excessiva de acolhimento residencial em detrimento do acolhimento familiar”, aponta a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Para o organismo das Nações Unidas, a explicação está, em parte, no “aumento de crianças e jovens não acompanhados e separados que procuram asilo na Europa nos últimos anos”.

O relatório da Unicef dá conta também dos “desafios significativos” que as crianças com deficiência continuam a enfrentar, “com maior probabilidade de serem colocadas em unidades de acolhimento residencial em comparação com crianças sem deficiência”.

“Nos países onde existem dados disponíveis, as crianças com deficiência representam entre 4% e até 87% das crianças em unidades de acolhimento”, revela, acrescentando que em mais de metade dos países com dados disponíveis, a proporção de crianças com deficiência em todos os tipos de acolhimento residencial formal aumentou entre 2015 e 2021.

Refere que, no caso de Portugal – que tem por base os dados do relatório CASA (Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens) 2022 – 14% das crianças institucionalizadas têm uma deficiência física ou mental.

A Unicef cita “estudos sobre os impactos da separação familiar e da institucionalização no desenvolvimento e no bem-estar das crianças” para salientar que “as crianças institucionalizadas em unidades de grande escala enfrentam frequentemente negligência emocional e taxas mais elevadas de abuso e exploração, o que as expõe a problemas de saúde mental, angústia psicológica e trauma”.

“As crianças institucionalizadas podem ter dificuldade em desenvolver relações positivas ao longo da infância e idade adulta, sentindo-se isoladas e solitárias. As crianças que estão em acolhimento residencial – sobretudo nos primeiros anos de vida – podem apresentar atrasos cognitivos, linguísticos e outros no desenvolvimento, e são mais propensas a entrar em conflito com a lei, perpetuando ciclos de institucionalização”, alerta a Unicef.

A Unicef Portugal aproveita para propor que em Portugal seja feita a qualificação do sistema de promoção e proteção como um todo, que haja investimento e reforço em medidas preventivas e alternativas ao acolhimento e que seja executado um plano de desinstitucionalização progressivo e urgente.

Veja também:

ULSAC confirma casos de impétigo em Estremoz após ter negado problema de saúde pública

A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) confirmou, esta quinta-feira, que a...

Exposição «Alqueva Vivo» com trabalhos de crianças de Mourão inaugura hoje na sede da EDIA

A sede da EDIA, em Beja, acolhe a exposição «Alqueva vivo: animais e plantas...

Ter 16 anos não basta para começar a trabalhar: ACT esclarece regras para menores

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) esclareceu as condições em que os...

Seguro promulga proibição de ‘smartphones’ até ao 9.º ano

O Presidente da República, António José Seguro, promulgou o diploma que alarga até ao...

Oficinas de têxtil para crianças decorrem em Évora de 24 a 28 de agosto

As oficinas de têxtil para crianças «Aventuras no Mundo do Têxtil – Pequenos Designers»...

RC3 recebeu 145 crianças nas visitas de verão em Estremoz

O Regimento de Cavalaria N.º 3 (RC3), em Estremoz, recebeu 145 crianças durante as...

Alcácer do Sal: Santa Maria do Castelo propõe apoio ao nascimento

A Junta de Freguesia de Santa Maria do Castelo, no concelho de Alcácer do...

PJ detém homem suspeito de abusar sexualmente da filha menor em Portalegre e Queluz

A Polícia Judiciária deteve, em Lisboa, um homem de 54 anos suspeito da prática...

Alentejo soma 1.354 bebés rastreados no primeiro semestre

Os distritos de Beja, Évora e Portalegre registaram, em conjunto, 1.354 recém-nascidos estudados no...