O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, defendeu esta sexta-feira, em Portalegre, que os investimentos públicos devem ser definidos com base em prioridades estratégicas, de forma a garantir um uso mais eficiente dos fundos disponíveis.
Nas declarações prestadas aos jornalistas, o governante sublinhou que, muitas vezes, os investimentos são realizados em função da disponibilidade de verbas, quando deveriam ser planeados a médio e longo prazo.
«O país tem feito um esforço para aplicar os fundos da melhor forma, mas eles terão muito mais impacto se tivermos capacidade de definir os investimentos que são prioritários, pensá-los no médio e longo prazo e, depois, aproveitar os fundos disponíveis», afirmou o ministro, em resposta a uma questão sobre a necessidade de uma abordagem mais estruturada na aplicação das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Fernando Alexandre falava durante a inauguração de uma nova residência estudantil no Centro Histórico de Portalegre, um investimento de mais de 800 mil euros, financiado em 94% pelo PRR. Apesar de reconhecer a importância da obra, o ministro alertou para a necessidade de uma estratégia de investimento que vá além da mera gestão de fundos disponíveis.
«Temos muitas vezes um modelo em que, consoante a disponibilidade de fundos, vamos à procura da melhor forma de os gastar. Obviamente, há sempre um esforço para aplicá-los da melhor maneira possível, mas o impacto seria maior se os investimentos fossem previamente definidos em função das necessidades prioritárias», destacou.
No setor da Educação, o ministro sublinhou que o alojamento estudantil continua a ser uma das áreas prioritárias, referindo que há um investimento superior a 500 milhões de euros do PRR para duplicar o número de camas disponíveis para estudantes do ensino superior. «Este é um dos melhores investimentos que podemos fazer», considerou.
Fernando Alexandre destacou ainda os desafios enfrentados pelos estudantes deslocados, apontando a falta de alojamento como um dos principais entraves à sua integração e sucesso académico. «25 a 30% dos estudantes mudam de cidade para estudar. Isso coloca desafios significativos, não só na questão do alojamento, mas também no custo de vida. O alojamento é, provavelmente, o custo mais elevado que os estudantes têm», afirmou.
O governante defendeu que a mobilidade estudantil deve ser incentivada, mas com condições adequadas para evitar o abandono escolar por dificuldades económicas. «Devemos garantir que essa deslocação seja feita de forma bem-sucedida e que não leve ao abandono, muitas vezes causado pela incapacidade de encontrar e pagar um quarto», alertou.
A inauguração da nova residência estudantil de Portalegre insere-se num plano mais amplo de reforço da oferta de alojamento para estudantes. No entanto, o ministro reforçou que, independentemente da área de investimento, a definição estratégica das prioridades deve ser central na gestão dos fundos públicos.



















