O Portal do Queixa registou quase 7.000 reclamações dirigidas às câmaras municipais durante o mandato que agora termina, o que representa um aumento de 392% face ao quadriénio 2013-2017, informou hoje a plataforma destinada a consumidores.
Segundo o comunicado, foram feitas 6.988 queixas entre 01 de outubro de 2017 e 31 de julho de 2021, contra as 1.419 registadas no período homólogo imediatamente anterior.
O estudo do Portal da Queixa, que teve como mote as eleições autárquicas marcadas para 26 de setembro, concluiu que Lisboa (1.496 reclamações), Porto (407) e Braga (191) foram as mais visadas pelos seus munícipes no atual mandato, numa análise focada nas 18 capitais de distrito, que concentraram 37% das queixas (2.615).
“Um resultado que está relacionado com o facto de pertencerem às zonas mais urbanizadas do país e àquelas que apresentam uma maior densidade populacional”, justifica a plataforma.
No lado oposto, o Portal da Queixa não recebeu qualquer reclamação relativa à câmara de Vila Real, enquanto Guarda (cinco), Bragança (sete) e Portalegre (10) foram as que geraram menos protestos.
As maiores variações de crescimento registaram-se em Viana do Castelo (1.300%), Beja (1.000%), Faro (825%), enquanto Braga registou um aumento de 730% e Lisboa de 696%.
Relativamente ao índice de satisfação — pontuação atribuída a cada entidade no Portal da Queixa —, Lisboa, Faro, Braga, Leiria e Setúbal são as que “demonstram uma maior preocupação em responder e resolver os problemas reportados pelos seus munícipes”, numa análise aos primeiros sete meses de 2021.
Para o mesmo período, Lisboa e Faro apresentam índices de satisfação perto dos 80% e taxas de resposta de 100%, enquanto a taxa de solução se situa nos 73,9% na capital e em 84,6% no concelho algarvio.
Uma análise às cinco câmaras com maior número de queixas (Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Viseu) — que reúnem 88% das reclamações das 18 capitais de distrito — concluiu que, de 01 de janeiro a 31 de julho deste ano, os principais motivos de reclamação estão relacionados com infraestruturas, serviços, ambiente, licenciamentos, habitação e saúde pública.
Lisboa é o concelho que mais contribuiu para este resultado, com 331 queixas relacionadas com estas seis áreas, incluindo 99 por questões de licenciamento, 89 relativas a infraestruturas e 82 no campo do ambiente.
O estudo concluiu também que as reclamações efetuadas entre 2017 e 2021 aumentam em função do grau de urbanização e do poder de compra do concelho, tal como em função do nível de instrução dos seus habitantes.
Por outro lado, as reclamações diminuem nos concelhos onde a percentagem de população sem o ensino secundário é maior.
As queixas aumentaram nos concelhos onde há mais população residente, mais natalidade (mais frequente nas zonas mais urbanas), em que o poder de compra é maior, onde a densidade populacional é maior (zonas mais urbanizadas) e em que a população empregada no setor terciário é superior.
| Câmara Municipal | Índice de Satisfação | Taxa de Resposta | Taxa de Solução | Reclamações 2017/2021 | Variação face a 2013 a 2017 |
| Lisboa | 79,7 | 100,00% | 73,90% | 1496 | 696% |
| Faro | 78,7 | 100,00% | 84,60% | 37 | 825% |
| Braga | 48,5 | 97,80% | 24,40% | 191 | 730% |
| Leiria | 37 | 83,30% | 36,40% | 51 | 467% |
| Setúbal | 28,3 | 50,00% | 25,00% | 98 | 326% |
| Beja | 25,8 | 33,30% | 14,30% | 22 | 1000% |
| Santarém | 22,5 | 17,20% | 17,90% | 19 | 171% |
| Castelo Branco | 21,4 | 25,00% | 26,30% | 13 | 86% |
| Bragança | 20,4 | 28,60% | 28,60% | 7 | (0 reclamações) |
| Porto | 18,5 | 16,70% | 17,50% | 407 | 254% |
| Évora | 17,5 | 25,00% | 25,00% | 42 | 200% |
| Viseu | 17,4 | 29,40% | 20,00% | 57 | 338% |
| Coimbra | 14,9 | 14,30% | 15,00% | 91 | 133% |
| Aveiro | 13,3 | 16,70% | 20,00% | 41 | 486% |
| Guarda | 11,7 | 16,70% | 16,70% | 5 | 400% |
| Viana do Castelo | 11,6 | 22,20% | 14,30% | 28 | 1300% |
| Portalegre | 7,3 | 16,70% | 0,00% | 10 | 400% |
| Vila Real | N/A | N/A | N/A | 0 | 0% |

















