Polémica: Associação de Agricultores com sede no Alentejo reage a livro de José Rodrigues dos Santos

Charolês

O pivot da RTP e escritor José Rodrigues tem um novo livro e nele compara os campos de concentração de Auschwitz, alemães, e os Gulag, da antiga União Soviética, aos matadouros nacionais, nos quais se abatem os animais que os portugueses comem às suas mesas com a Família.

Na sequência deste livro e do seu conteúdo, o presidente da Associação Portuguesa de Criadores de Bovinos de Raça Charolesa, com sede em Montemor-o-Novo, já reagiu, numa carta aberta.

João Camejo começa por dizer que “todos os que trabalhamos diariamente no campo e em contato com os animais, de uma forma apaixonada, não pudemos ficar indiferentes ao retrato macabro que fez daquilo que é o nosso dia-a-dia.”

O agricultor acusa José Rodrigues dos Santos de estar a “denegrir todo um setor tão digno e a quem o país tanto deve, demonstra uma falta de sensibilidade enorme da sua parte”.

O presidente da Associação Portuguesa de Criadores de Bovinos de Raça Charolesa deixa claro na sua carta aberta que “não vamos à selva capturar animais para produzir carne, pelo contrário, o habitat natural destas espécies é a instalação pecuária. Eu não trabalho num campo de concentração”, acrescentando que os dados conhecidos afirmam que “a emissão de gases estufa por atividade agrícola é apontada como sendo pouco mais de 10%, sendo que a pecuária será responsável por cerca de 65% desse valor. E isto sem descontar o que deveria ser subtraído devido ao sequestro de carbono que ocorre nas pastagens, mas, possivelmente, a referência a este facto científico, vai-lhe tirar alguns likes.

Será que a ocupação de enormes áreas para a produção de vegetais de forma intensiva (azeite, óleo de palma, amêndoa, trigo?), não terá também levado à perda de habitats para esses vertebrados selvagens?”, questiona o Agricultor.

João Camejo termina dizendo que “será um prazer abrir as portas das nossas explorações pecuárias, não a si que já sabe tudo, mas a quem queira, efetivamente, conhecer o que lá se passa e contribuir, ao lado dos agricultores, para uma aproximação dos mundos rural e urbano.”